Depois de divulgar o nome do seu primeiro veículo 100% eléctrico e de abrir o período de encomendas, com os clientes a depositarem 2.500€ para integrar a lista das primeiras entregas, eis que a Porsche sentiu necessidade de enfatizar a rapidez do Taycan. Através de um tweet, o construtor lembrou que o modelo, “com o seu binário instantâneo, é capaz de ir de 0 a 100 km/h em 3,5 segundos”. O que é um excelente valor, mas é pior do que um dos dois concorrentes que, de momento, a marca alemã tem pela frente, nesta incursão pelo mundo dos veículos eléctricos.

Em termos absolutos, 3,5 segundos para ir de 0 a 100 km/h é indicativo de uma capacidade de aceleração brutal, provando que o Taycan é um carro capaz de impressionar os condutores que gostam de emoções fortes, a acelerar. Basta ver que na gama 911, o Carrera com 370 cv é mais lento (4,6 segundos), tal como o Carrera GTS (450 cv e 4,1 segundos) e o Carrera GT3 (500 cv e 3,9 segundos), com o Porsche eléctrico a perder para o 911 Turbo (540 cv e 3,0 segundos) e não de forma esmagadora.

Mas como o Taycan é na realidade um Panamera eléctrico – será mais curto, mas oferecerá mais espaço por dentro –, então temos que, na gama Panamera, o Taycan bate-se de igual para igual com as mais potentes versões do familiar de quatro portas a gasolina, uma vez que se o Panamera Turbo (550 cv e 3,8 segundos) é mais lento até aos 100 km/h, é necessário subir até aos Turbo S E-Hybrid (680 cv e 3,4 segundos) para os motores a gasolina (neste caso, gasolina e eléctrico) baterem o 100% eléctrico.

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Contudo, o tweet da Porsche inglesa teve o condão de suscitar algumas reacções não muito positivas, muitas das quais comparando o desempenho do Taycan com o do Tesla Model S. Recordam os seguidores da marca no Twitter que 3,5 segundos de 0-100 km/h é pouco face aos 2,7 segundos do Model S, que no modo Ludicrous pode ainda ser mais rápido. Há mesmo quem chame a atenção para o facto de até o mais barato Model 3 necessitar dos mesmos 3,5 segundos para ir de 0 a 96,54 km/h (0-60 mph).

Para garantir que o seu Taycan será mais eficaz em comportamento do que os rivais – a experiência que possui com fabricante de desportivos deve permitir-lhe isso mesmo –, tipo Tesla Model S ou Jaguar I-Pace, a Porsche continua a trabalhar afincadamente no desenvolvimento dos protótipos, de que foram construídas 40 unidades, 21 das quais foram enviadas para a África do Sul, onde procedem a testes a altas temperaturas. Outros rumaram ao norte da Europa, para lidar com o frio (nada amigo das baterias).

A Porsche anuncia para o Taycan uma potência total de 600 cv, no somatório de dois motores eléctricos, um por eixo, de forma a assegurar tracção integral, motores esses que serão alimentados por uma bateria de 90 kWh que garante uma autonomia de 500 km, sem que o fabricante especifique se é de acordo com a norma NEDC (o que será mau), ou WLTP (o que será bom). Garantido é que os acumuladores poderão ser recarregados de 0 a 80% em apenas 15 minutos, para ter uma autonomia adicional de 400 km (desconhecendo-se ainda se em condições reais de utilização ou de acordo com a optimista norma NEDC), por contar com um sistema eléctrico a 800V e aceitar energia de carregadores a 350 kW.

A marca alemã pretende produzir 20.000 unidades por ano do Taycan, um valor comedido face aos cerca de 60.000 que a Tesla fabrica de Model S, ou até mesmo os 40.000 Model X. Só o Jaguar I-Pace, que será produzido pela Magna Steuer em Graz, vai produzir menos, uma vez que no primeiro ano completo (em 2019) não ambiciona fabricar mais de 13.000 unidades, o que é um objectivo ainda mais conservador.