A mulher de Abdelouahab Taib, o argelino que invadiu na manhã de segunda-feira a esquadra da polícia de Cornellà, nos arredores de Barcelona, armado com uma faca, declarou à polícia que o marido só protagonizou o ataque porque queria suicidar-se. Segundo fontes próximas da investigação citadas pela imprensa espanhola, a mulher, que descobriu há um ano que o marido era homossexual, declarou à polícia que Abdelouahab Taib preferia a morte à vergonha de assumir a sua orientação sexual perante a comunidade muçulmana.

De acordo com o catalão La Vanguardia, a mulher revelou à polícia que o marido já tinha manifestado em várias ocasiões o desejo de morrer. O ataque aconteceu esta segunda-feira de manhã, quando Abdelouahab Taib, de 29 anos e origem argelina, invadiu a esquadra da polícia a gritar “Alá é grande” tendo acabado por ser abatido pelos Mossos d’Esquadra.

O caso começou logo a ser investigado como “atentado terrorista”, com a polícia catalã a considerar que o atacante tinha “uma vontade clara de atacar e matar os agentes” da esquadra, como explicou em conferência de imprensa Rafael Comes, da direção-geral da polícia regional catalã. Mais tarde, o ministro do Interior catalão, Miquel Buch, avançou que tudo apontava pata que o ataque tivesse sido um “ato isolado” que tinha como alvo a polícia, mas os contornos do sucedido ainda estavam por explicar.

Segundo o La Vanguardia, Abdelouahab Taib vivia a dois minutos a pé da esquadra de Cornellà e era considerado “cordial” entre os vizinhos. Tinha acabado de se separar da mulher, de nacionalidade espanhola, que agora veio revelar à polícia que o motivo da separação não foi a sua radicalização islâmica, como chegou a ser anunciado, mas sim a sua homossexualidade.

Segundo vários testemunhas Taib apareceu na mesquita da comunidade islâmica Al Tauba no domingo à tarde, poucas horas antes de levar a cabo o ataque contra os polícias. “Talvez tenha aparecido três ou quatro vezes desde que o conhecemos”, contou ao El Mundo um frequentador da mesquita.

Segundo relatos dos vizinhos à agência de notícias espanhola EFE, o jovem argelino era pouco conhecido na zona e não se relacionava muito com os vizinhos, apesar de todos lhe reconhecerem o trato “cordial”. Já a mulher, que tem duas filhas fruto de uma relação anterior, era mais conhecida no bairro, onde vivia há mais tempo (há pelo menos oito anos). Os vizinhos ficaram surpreendidos quando se converteu ao islamismo, “quando conheceu Abdelouahab Taib”, e passou a usar um lenço a cobrir a cabeça.

As autoridades aumentaram o estado de alerta da polícia da região, por receio de novos ataques contra agentes em patrulha.