Rádio Observador

Mar

Uma mulher britânica resgatada 10 horas depois de cair de um cruzeiro no mar Adriático

525

O resgate foi descrito por alguns como "milagroso", mas como é que a mulher de 46 anos conseguiu sobreviver tanto tempo no mar? Especialistas deixam algumas pistas sobre o que a pode ter ajudado.

AFP/Getty Images

Uma mulher britânica foi resgatada depois de passar 10 horas à deriva sem colete salva-vidas no Mar Adriático, depois de cair de um cruzeiro a quase 100 quilómetros de distância da costa da Croácia, segundo conta o The Guardian  e vários outros meios de comunicação, como a estação ABC.

O seu resgate foi descrito por alguns como “milagroso”, mas como é que esta mulher de 46 anos conseguiu sobreviver tanto tempo no mar?

A temperatura

Para aumentar as probabilidades de sobreviver em alto mar é preciso uma conjugação de vários fatores que nem sempre estão presentes. Dos vários fatores, a temperatura do mar é o mais importante. Neste caso, a mulher britânica teve a sorte do seu lado. Uma pessoa consegue sobreviver cerca de uma hora quando a temperatura da água é de 5ºC, duas horas a 10ºC e seis horas a 15ºC.

Se a temperatura da água for demasiado baixa, o corpo humano pode entrar em choque, perdendo o controlo da respiração, aumentando a possibilidade de afogamento. A queda de temperatura no corpo humano aumenta os níveis de cansaço e o náufrago começa a ficar confuso e desorientado.

Em declarações à BBC, o professor Mike Tipton, afirmou que a temperatura da água “estaria por volta dos 28-29ºC, o que é ligeiramente mais quente do que uma piscina”, aumentando as hipóteses de sobreviver até 25 horas.

Ser localizado

Ser localizado o mais rápido possível é decisivo, mas depende muito dos meios de busca e salvamento empregues. À noite, a busca torna-se praticamente impossível para encontrar alguém. “Trata-se essencialmente de encontrar uma cabeça no meio da água”, insiste Tipton.

Neste caso a mulher que caiu do cruzeiro teve a sorte do seu lado. As pessoas a bordo do cruzeiro terão dado pela sua falta e utilizaram as imagens das câmaras de segurança para descobrir o momento em que caiu do navio e daí deduzir a sua localização.

Força mental

Meio caminho para sobreviver durante o máximo de tempo possível enquanto se espera pelas equipas de busca e salvamento é a resiliência mental. A forma como cada um reage a uma situação de desastre é sempre diferente, mas a consciencialização de que esta pode ser o fator decisivo entre a vida e a morte, pode mesmo fazer toda a diferença.

Muitas pessoas ficam paralisadas quando confrontadas com um acidente, outros entram em pânico. Manter a calma é mesmo opção, no entanto, após “seis, sete, oito horas, a situação deve ser bastante desesperante”, reconheceu o professor Tipton.

Flutuar

A melhor forma de atrasar o arrefecimento da temperatura corporal é evitar nadar e tentar flutuar com os joelhos encostados ao peito, de acordo com o guia de técnicas de sobrevivência. Caso haja algum objeto flutuante nas redondezas deve, sem perder tempo, agarrar-se a ele. É preciso ter em conta a ondulação no mar. Kay Longstaff, a britânica resgatada ao largo da costa croata, teve, outra vez, sorte neste fator. “O mar estava bastante calmo e ela foi capaz de flutuar com muita facilidade”, disse Tipton.

Ser mulher

De todas as suas hipóteses a menos expectável. A maior proporção de gordura corporal das mulheres — cerca de 10% mais do que os homens – -pode jogar a seu favor. “Elas têm mais gordura subcutânea e isso significa que eles são mais flutuantes porque a flutuação do corpo vem principalmente do ar e da gordura do corpo”, revelou Tipton à BBC 5. Para além disso, esta gordura extra ajuda a manter a temperatura corporal em níveis estáveis e ajuda quando o corpo humano fica cansado na água.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Mar

O mar /premium

João Cameira

Seria porventura ajuizado trabalharmos colectivamente para sermos os melhores do mundo numa área onde, comprovadamente, já demos provas cabais da nossa excelência – o mar.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)