A gigante tecnológica norte-americana Microsoft anunciou esta terça-feira que detetou e fechou vários sites que foram criados por hackers russos para tentar interferir na campanha para as eleições intercalares que se avizinham. Os alvos, desta feita, são institutos republicanos que têm criticado a política externa de Trump e pedem mais sanções contra a Rússia de Vladimir Putin, como o The Hudson Institute e o International Republican Institute.

“Estamos a ver mais um aumento do número de ataques. E o que é novidade, neste caso, é o alargamento do tipo de sites que estão a eleger como alvo”, comentou Brad Smith, presidente da Microsoft que tem o pelouro dos assuntos legais, em entrevista ao The New York Times. Segundo o responsável, um grupo de piratas informáticos — que poderá ser o mesmo que procurou denegrir a imagem de Hillary Clinton antes das eleições de 2016 — tentou criar sites com a mesma aparência destas organizações informalmente ligadas ao Partido Republicano, com o intuito de difundir informação falsa e obter informação sobre os visitantes. Foi, também, criado um domínio para se fazer passar pelo site do Senado norte-americano.

Os alvos do grupo de piratas, conhecido como G.R.U., promoveram várias iniciativas nos últimos meses que são desfavoráveis para a imagem do Kremlin. O Hudson Institute realizou programas a analisar os regimes cleptocratas a nível mundial, com referências à oligarquia próxima de Vladimir Putin na Rússia. Já os líderes do International Republican Institute têm aparecido a criticar os encontros de Trump com Putin, designadamente o encontro em Helsínquia, no mês passado.

“Isto é mais um sinal de que os russos não têm um objetivo de perseguir este ou aquele partido, mas sim atacar aqueles que, na sua ótica, são prejudiciais ao interesse nacional (russo)”, comentou Eric Rosenbach, coordenador de um programa de defesa da democracia na era digital, pela Universidade de Harvard. “O objetivo é perturbar e diminuir qualquer grupo que desafia a forma como a Rússia de Putin está a atuar no país e no resto do mundo”.