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Nelson Évora. Uma década depois de Pequim, há dez razões para que Tóquio 2020 não seja um salto maior do que a perna

Em 2008, Nelson Évora fazia história e conquistava o ouro em Pequim. Passada uma década, o português viveu dez marcos na carreira que lhe permitem sonhar alto nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020.

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Em Pequim, em 2008, Nelson Évora saltou 17,67 metros para o quarto ouro olímpico nacional

Getty Images

Em Pequim, em 2008, Nelson Évora saltou 17,67 metros para o quarto ouro olímpico nacional

Getty Images

Se um gato tem sete vidas, Nelson Évora não lhe ficará muito atrás. Aos 34 anos, o atleta do Sporting acabou de se sagrar campeão europeu de triplo salto ao ar livre, um título inédito na sua carreira, mas logo demonstrou a ambição que sempre o caracterizou e apontou à próxima meta: “O objetivo é chegar a Tóquio na melhor forma possível e lutar pelo ouro, seja quem for o adversário, acreditem”, atirou.

As atenções de Nelson Évora já se viraram para os Jogos Olímpicos de 2020 e, no treino desta manhã, o atleta português contará com a presença de um convidado especial: o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, vai deslocar-se até à pista de atletismo do Centro Desportivo do Vitória Sports & Beach Hotel, em Albufeira, para assistir ao treino do atleta. O motivo? Comemorar os dez anos passados desde a medalha de ouro conquistada por Nelson Évora nos Jogos Olímpicos de Pequim, a quarta pintada com as cores nacionais. 

Aos 24 anos, o saltador português bateu a concorrência do favorito Phillips Idowu e de Leevan Sands para atingir o momento mais alto da carreira (Créditos: Getty Images)

Foi precisamente a 21 de agosto de 2008 que Nelson Évora fez história em terras chinesas, com os 17,67 metros, a sua melhor marca da temporada, a valerem-lhe um ouro olímpico que se juntava ao título de campeão do mundo conquistado um ano antes, em Osaka. O registo conseguido pelo português ao quarto salto superou os 17,62 do britânico Phillips Idowu, que até era favorito à vitória mas acabou com a prata, e os 17,59 saltados pelo atleta das Bahamas, Leevan Sands.

Há uma década, Nelson Évora estava no topo do mundo. Era campeão mundial e olímpico e entrava num restrito lote de atletas portugueses com medalhas de ouro olímpicas: para além do saltador, o único que venceu sem ser em provas de longa distância, Carlos Lopes conquistou o ouro na maratona em Los Angeles 1984, Rosa Mota repetiu o feito quatro anos depois, em Seul, e Fernanda Ribeiro fechou o lote com o ouro alcançado nos 10.000 metros em Atlanta 1996.

Foi à quarta tentativa que o português saltou os 17.67 metros com que venceria a prova, distância que representaria a sua melhor marca nesse ano (Créditos: Getty Images)

Atingido que estava o pique da carreira nos Jogos Olímpicos de 2008, a carreira de Nelson Évora estava prestes a entrar numa montanha-russa que levaria o saltador a transformar-se: enfrentou um calvário de lesões que quase lhe terminaram a carreira, teve forças para regressar com ambições redobradas e mostrou-se capaz de, ano após ano, continuar a fazer história. Pelo meio, trocou de clube, arranjou uma rivalidade que promete dar que falar e teve ainda capacidade para reescrever os feitos do atletismo português.

Uma década depois do ouro olímpico, Nelson Évora aponta a novas conquistas nos Jogos de Tóquio e, quem conhecer o percurso e a ambição de um dos atletas mais medalhados de sempre do atletismo nacional, não pode excluir essa hipótese. Nelson Évora é perito a reinventar-se e parece aproveitar cada nova vida melhor do que a anterior. Se razões faltarem, estes dez marcos da última década de carreira do atual campeão europeu de triplo salto mostram que pensar numa medalha em 2020 está longe de ser um salto maior do que a perna.

2009. Três ouros e o topo do ranking mundial

No ano seguinte à maior conquista da carreira, Nelson Évora decidiu abdicar do Campeonato Europeu de Pista Coberta de modo a poder focar a sua preparação nos Campeonatos do Mundo de Berlim. Ainda assim, a 24 de maio, o saltador português deslocou-se ao Grande Prémio de Belém, no Brasil, onde conseguiu a marca de 17,66 metros, que o colocava no topo do ranking mundial desse ano.

Seguiu-se o Europeu de Seleções, onde Nelson Évora competiu no triplo salto e no comprimento. Foi em junho, em Leiria, que o português nascido na Costa do Marfim voltou a superar o britânico Phillips Idowu e conquistou novo ouro no triplo salto, com a marca de 17,59 metros, enquanto se ficou pela prata no salto em comprimento, ultrapassado pelo espanhol Eusebio Cáceres.

Idowu acabaria por levar a melhor nos Mundiais de Berlim, depois de Nelson Évora ter ganho o primeiro round em Pequim 2008 (Getty Images)

Em julho, durante a Universíada de verão realizada em Belgrado, na Sérvia, Nelson Évora voltou a confirmar a boa forma apresentada e venceu nova prova, apesar da marca abaixo das habituais (17,22), tal como viria a fazer em Lisboa, nos Jogos da Lusofonia, com a marca vitoriosa a fixar-se nos 17,15 metros.

Era a última prova antes dos Mundiais de Berlim, a grande aposta de Nelson Évora, realizados em agosto. O português chegava à Alemanha com o melhor tempo do ano, mas desta feita perderia o duelo com Idowu: o britânico saltou uns fantásticos 17,73, superando os 17,55 conseguidos pelo campeão olímpico. A prata acabaria por saber a pouco depois do ouro conquistado dois anos antes, em Osaka.

2011. A última conquista antes do calvário

O ano de 2011 não começou bem para Nelson Évora, que não foi além de um sexto lugar nos Europeus por seleções, realizados em Estocolmo, na Suécia, com a distância de 16,33 metros.

Mas o português habituou-se a surpreender os especialistas e depois de uma desilusão, enchia-se de força para uma nova conquista. Assim o fez em agosto, quando viajou até à China para o único ouro conquistado nesse ano. Foi nas Universíadas que Nelson Évora saltou 17,31 e superou o ucraniano Viktor Kuznyetsov (16,89) e o cazaque Yevgeniy Ektov (16,83) para juntar mais uma medalha internacional ao seu palmarés, a última antes do calvário que começaria no ano seguinte.

Em Coreia do Sul, Nelson Évora ficou-se pelo quinto lugar numa prova conquistada pelo americano Christian Taylor, com 17,96m (Getty Images)

Antes, o português voltou a tentar a sua sorte no Campeonato do Mundo em Daegu, na Coreia do Sul, mas voltou a ficar aquém da meta traçada, não indo além de um quinto lugar com 17.35 metros, que, ainda assim, seria a sua melhor marca da temporada.

2012. Três operações e o risco de ficar sem perna

Tudo começou em 2010, com uma fratura de stress na tíbia da perna direita, motivada pelo esforço e o natural impacto dos saltos no corpo humano, a obrigarem a uma operação que deixou Nelson Évora fora de competição durante cerca de ano e meio. O português regressou, competiu durante metade de 2011, mas, no início de 2012, o pior estava para vir: durante o aquecimento para uma prova no Estádio Nacional, lesionou-se e, dias depois, acabaria no bloco operatório do Hospital Garcia da Orta, em Almada.

Aí, os especialistas perceberam que Nelson Évora não tinha uma lesão, mas sim três. “O processo foi um pouco mais complicado do que o habitual já que havia três problemas na mesma perna: uma lesão de stress anterior não totalmente recuperada, uma fratura aguda na zona pior que existe da tíbia e dores na zona externa do joelho por excesso de carga nos treinos e competição”, explicou Nuno Craveiro Lopes, diretor do serviço de Ortopedia e Traumatologia e responsável principal da Unidade de Reconstrução Óssea do Hospital Garcia da Orta, em declarações ao jornal I, em 2012.

Em 2013, Nelson Évora disputou provas internas com o Benfica, mas esteve sempre longe da sua melhor forma (Global Imagens)

Parte do tratamento consistiu em cortar um bocado do perónio para “melhor comprimir a tíbia”, de forma a anular as dores no joelho, sendo que também foi trocada a cavilha que Nelson Évora já tinha na perna por uma nova “bloqueada por parafusos em cima e em baixo para recuperar mais rapidamente”. Estimativa: três a seis meses de paragem. Realidade: mais de dois anos sem competir ao mais alto nível.

É que, ao quinto mês de recuperação, em maio, percebeu-se que a zona operada estava a infetar devido aos ferros e parafusos lá inseridos, pelo que foi necessária nova intervenção cirúrgica, caso contrário Nelson Évora poderia ter de amputar a perna. Dois meses depois, nova operação, a terceira, para limpar a zona e retirar os últimos parafusos que restavam. Foi a 24 de julho que terminou o calvário de Nelson Évora nos blocos operatórios, com uma hérnia que estava junto ao perónio a ser também retirada na cirurgia.

Nelson Évora partilhava nas redes sociais imagens da recuperação (Facebook/NelsonEvoraOficial)

Com as lesões e a paragem forçada, os Jogos Olímpicos de 2012, em Londres, não passaram de uma miragem e com ela se esfumou a hipótese de defender o título olímpico conquistado quatro anos antes. Mas Nelson Évora tem várias vidas, lembra-se? E voltaria, tão ou mais forte do que antes.

2014. A última cirurgia e o regresso à competição

“O Benfica informa que Nelson Évora será submetido a uma artroscopia na próxima quarta-feira. Esta pequena cirurgia, motivada por lesão condral devido a patologia na cartilagem do joelho esquerdo, impossibilitará o campeão olímpico de 2008 no triplo salto e capitão da equipa de atletismo do cube de iniciar a nova época já no período de pista coberta”, anunciava o clube da Luz, a 2 de janeiro de 2014, no seu site oficial.

A 14 de agosto de 2014, em Zurique, Nelson Évora voltou a uma final internacional e deu início a uma nova vida na sua carreira (Getty Images)

Depois do calvário de 2012 e da tentativa de recuperação em 2013, 2014 começava com más notícias para o português. Mas há males que vêm por bem e a artroscopia ao joelho esquerdo acabaria por ser a última antes do relançar de carreira.

Nelson Évora foi operado, recuperou bem e, em agosto de 2014, volta aos grandes palcos internacionais, demonstrando confiança em sim mesmo para tal. Nos Europeus realizados na Suíça, o saltador português até foi sexto classificado com a marca de 16,78 metros, mas, àquela altura do campeonato, saltar em Europeus já era bom; estar na final era ainda melhor. Nelson Évora estava de regresso à competição ao mais alto nível e só isso importava.

2015. O ponto de viragem e o título europeu

Em 2015, poucos acreditavam que Nelson Évora tivesse condições para voltar a competir ao mais alto nível; menos ainda imaginavam que o português voltasse a subir a um pódio. Mas o saltador reinventou-se e, depois da tempestade, conseguiu alcançar a bonança sob a forma de ouro: em Praga, o português sagrou-se campeão europeu de pista coberta.

Pois é, não estávamos a brincar quando dissemos que Nelson Évora tinha a capacidade de surpreender e de se reinventar sempre que lhe era vaticinado o final de carreira ao mais alto nível. Em março, na capital checa, o português saltou 17,21 metros à sexta tentativa e colocou os Europeus de pista coberta como o ponto de viragem de um percurso que tinha estagnado devido às lesões mas voltaria a seguir o seu caminho ascendente, muito por força da capacidade de superação de Nelson Évora.

Ultrapassadas as lesões, Nelson Évora voltou aos grandes palcos internacionais com a conquista do Europeu de pista coberta (Getty Images)

“Nunca desisti. As dores foram muitas e desanimei, mas sempre acreditei que ia voltar a saltar”, confessava ao Expresso, pouco depois de se sagrar campeão da Europa, admitindo: “Nunca pus a pressão de ganhar. Não era esse o meu foco, queria ir à competição e fazer uma boa prova”.

Nelson Évora estava novamente na rota das grandes competições internacionais e, em agosto, foi até Pequim, cidade que lhe trazia boas recordações, para atacar os Mundiais. Acabaria em terceiro, com um bronze no bolso, atrás do campeão Christian Taylor, norte-americano que saltou uns impressionantes 18,21 metros, e do segundo classificado, Pedro Pablo Pichardo (17,73), cubano que este ano se mudou para a Luz e se naturalizou português, sendo o maior concorrente de Nelson Évora a nível nacional. 

O pódio da final do triplo salto em Pequim, com Nelson Évora, o campeão Christian Taylor e o recém-naturalizado Pedro Pichardo (Getty Images)

2016. O regresso aos Jogos Olímpicos, no Rio de Janeiro

Depois de falhar as Olimpíadas de Londres, em 2012, devido a lesão, Nelson Évora regressava ao maior evento desportivo do mundo para disputar os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, Brasil.

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O português até foi quarto nas qualificações para a final, mas não foi além do sexto lugar na derradeira prova, com a sua melhor marca do ano, 17,03 metros. A prova voltou a ser ganha pelo norte-americano Christian Taylor (17,86) e, do segundo ao quinto lugar, contavam-se mais um norte-americano, dois chineses e um colombiano. O português seria o melhor europeu em prova, confirmando o estatuto de campeão da Europa com que chegava ao Rio de Janeiro.

Seria a terceira presença de Nelson Évora em Jogos Olímpicos, depois do 23.º lugar em Atenas 2004, com apenas 20 anos, e do ouro conquistado em Pequim 2008, a maior conquista do saltador português. Neste campeonato, o atleta do Sporting aponta a Tóquio 2020 como a próxima paragem.

2016. A troca de clube e o aquecer de uma rivalidade

Contexto: em julho de 2015, o Sporting anuncia a contratação de Jorge Jesus, depois de seis anos e três Campeonatos ao serviço do Benfica; no verão seguinte, os encarnados vão a Alvalade buscar Carrillo, que se encontrava em final de contrato e acabou por assinar pelos formação da Luz. Estavam lançadas as farpas no futebol, mas o Sporting levaria as hostilidades a um outro nível: em final de contrato, Nelson Évora, maior símbolo do atletismo do Benfica, trocava as águias pelos leões e era apresentado em pleno Estádio Alvalade, no intervalo do jogo com o Tondela.

O português passava por uma fase de mudanças: para além da troca de clube, mudava também de treinador. Depois de 12 anos no Benfica e 25 com o técnico João Ganço, Nelson Évora passou a ser treinado pelo cubano Ivan Pedroso, ex-saltador em comprimento e grande ídolo do português.

Nas redes sociais, o saltador pedia compreensão a quem o apoiou durante mais de uma década, mas não se alongava sobre os motivos que o levaram a trocar a Luz por Alvalade. Mais tarde, abriria o livro: “O Benfica tratou mal um símbolo do clube e tentou tapar buracos a qualquer custo. Tenho pena de que o estejam a fazer porque existem valores. Não estou a falar do clube, mas de uma pessoa, mas cada um faz o que sabe e o que pode”, afirmava em declarações ao Diário de Notícias.

“Podemos ter muitos campeões olímpicos comprados, mas sendo eu da formação e ter atingido o que atingi, era um símbolo do clube. Não se deixa um símbolo fugir da forma como aconteceu. Tenho muitos bons momentos no Benfica, mas vivi esse momento com grande tristeza, não ser tratado como achava que devia ter sido”, confessava.

O saltador foi apresentado em Alvalade acompanhado por Vicente Moura, vice-presidente das modalidades à altura (Global Imagens)

2017. Rei da Europa e um lugar na história dos Mundiais

Já ao serviço do Sporting, 2017 foi um bom ano para Nelson Évora. O saltador foi até Belgrado, na Sérvia, para disputar o Campeonato da Europa de pista coberta e repetiu a proeza conseguida dois anos antes, saindo da prova no lugar mais alto do pódio.

Com 17,20 metros saltados, o português superou a concorrência do veterano italiano Fabrizio Donato (17,13) e do alemão Max Heß (17,12) e sagrou-se campeão da Europa de pista coberta pela segunda vez na carreira. Antes, já se tinha estreado pelos leões nos Campeonatos de Portugal, que venceria sem grandes problemas.

Em Belgrado, Nelson Évora conquistou o segundo título europeu da sua carreira, superando Fabrizio Donato e Max Heß (Getty Images)

Em agosto, o português competiria em novos Mundiais, desta feita em Londres, e, embora o título de 2007 não se voltasse a repetir, Nelson Évora conseguiria uma medalha de bronze que o colocaria na história da competição.

Com o terceiro lugar (17,19), atrás dos norte-americanos Christian Taylor (17,68) e Will Claye (17,63), o português conseguiu uma série de feitos: conseguiu a quarta medalha em Mundiais, igualando o registo apenas alcançado a nível nacional por Fernanda Ribeiroconquistou a 18.ª medalha portuguesa em Campeonatos do Mundo (Inês Henriques, nos 50 quilómetros marcha, conquistaria a 19.ª); tornou-se no segundo atleta mais medalhado de sempre em Mundiais no triplo saltosomou oito medalhas em grandes competições internacionais.

2018. O início de uma rivalidade e a defesa do atleta nacional

Em abril de 2017, chegava ao Benfica Pedro Pablo Pichardo, atleta que desertou da concentração da seleção cubana para rumar à Europa e assinar pelos encarnados, como o substituto natural de Nelson Évora no triplo salto encarnado. E chegava com credenciais: tinha sido campeão mundial de juniores em 2012 e vice-campeão mundial em 2013 e 2015.

Com a quarta melhor marca da história do triplo salto (18,08 metros), apenas atrás de Jonathan Edwards (18,29), Christian Taylor (18,21) e Kenny Harrison (18,09), Pichardo chegava a Portugal como uma ameaça real à hegemonia de Nelson Évora na modalidade a nível nacional.

Em fevereiro deste ano, Pichardo alcançou a primeira vitória direta sobre Nelson Évora no Nacional de clubes realizado em Pombal. Aí, o atleta do Benfica saltou 17,19 metros contra os 17,06 do saltador do Sporting e ajudou os encarnados a sagrarem-se campeões nacionais com um resultado final de 100-99.

Mais tarde, em maio, Pichardo daria uma nova “facada” no legado de Nelson Évora: reclamaria para si o recorde nacional do triplo salto. Em Doha, Qatar, em evento da Liga Diamante, Pichardo saltou 17,95 metros e deixou para trás a marca de 17,74 que se mantinha como a melhor de Portugal desde os Mundiais de Osaka, em 2007. Nelson Évora esteve na prova e ficou em quarto, com 17,04.

Já depois dos dois atletas terem falhados os Campeonatos de Portugal, realizados em Leiria, em julho, Nelson Évora foi até Berlim sagrar-se campeão europeu ao ar livre. Pouco depois, Pichardo reagiria nas redes sociais: “Sem a minha presença é fácil. Campeão!”, escreveu nas histórias do Instagram o detentor da melhor marca do ano (17,95). Estava lançada a farpa, que seria mais tarde respondida pelo português.

“Sabendo que já há muita mudança para melhor dentro do desporto nacional, acho que o segredo passa por fazer os nossos acreditarem que podem lá chegar, mesmo com muito trabalho, e todos aqui o demonstram. E não passa por comprar atletas, naturalizar atletas, porque isso é algo ridículo“, atirou Nelson Évora, pouco depois de receber a medalha de campeão europeu. Estava entregue o recado e dado o mote para que a rivalidade entre os dois saltadores conheça novos episódios numa próxima competição.

2018. O título que lhe faltava: campeão europeu ao ar livre

Há pouco mais de uma semana, Nelson Évora reinventou-se pela última vez (até agora) e, aos 34 anos, conquistou a medalha que lhe faltava: o ouro nos Campeonatos da Europa ao ar livre. Foi com um salto de 17,10 (a sua melhor marca do ano) que superou o azeri Alexis Copello (16,93) e o grego Dimitrios Tsiamis (16,78) para receber a ambicionada medalha das mãos de um português, Jorge Salcedo, presidente do Comité Técnico da Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF).

Foi a quarta vez, mas continua a dar vontade de chorar um pouco, tive de me conter, mas é algo especial que gravo muito bem na minha memória. Com um português como o Salcedo é ainda mais especial”, confessou, realçando que estar no primeiro lugar do pódio é “um momento de afirmar Portugal”.

Depois de Rosa Mota, Manuela Machado, Fernanda Ribeiro, António Pinto, Manuela Machado, Francis Obikwelu, Dulce Félix, Patrícia Mamona, Sara Moreira e Inês Henriques, Nelson Évora conquistou o 15.º ouro em 36 medalhas em Europeus, desde 1982.

No final da prova, o saltador do Sporting agarrou a bandeira portuguesa e com ela deu a volta ao recinto. Em troca, deu ao rapaz da assistência que lhe dispensou o símbolo nacional a sapatilha direita que usou durante a prova, da qual guardou um pedaço de areia para mais tarde recordar.

“Ele deu-me a bandeira para eu dar a volta ao estádio, por isso entreguei-lhe algo meu, algo importante, à altura do significado de dar a volta com a nossa bandeira”, explicou o campeão europeu de triplo salto, que, aos 34 anos, escreveu a página que lhe faltava no livro dourado dos triunfos nacionais, antes de apontar a Tóquio 2020, onde tudo fará para marcar presença. Nem que seja preciso voltar a reinventar-se.

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