O canoísta Fernando Pimenta, tricampeão europeu, é o atleta internacional com resultados de pódio mais consistentes nos últimos anos, mas nem por isso entende ser o maior favorito ao título mundial de K1 1.000 metros em Montemor-o-Velho. “O número um do Mundo sairá da final de sábado por volta das 12:20. Aí se verá quem é o melhor. Até lá sou, o campeão… mas dos 5.000 (distância não olímpica)”, frisou, rejeitando qualquer tipo de favoritismo na corrida ao título que lhe falta.

O canoísta do Benfica, que falava na apresentação da equipa portuguesa para os Mundiais, que decorrem de quinta-feira a domingo em Montemor-o-Velho, congratulou-se, no entanto, pela sua “grande consistência de resultados”, realçando o facto de há muitos anos estar “sempre na luta pelas medalhas”.

“Isto é outra competição. Competimos todos da linha de partida. Não há favoritos. Temos de dar tudo por tudo. Não há hipóteses de repetir a prova”, sublinhou o atleta de Ponte de Lima, que alcançou o bronze em 2015 e a prata em 2017.

Fernando Pimenta é um dos 33 canoístas que compõem a seleção portuguesa — inclui vários canoístas sub-23 e júnior, para ganharem experiência –, à qual se juntam cinco da paracanoagem, esperando o tónico adicional do apoio de familiares e amigos no Centro de Alto Rendimento de Montemor-o-Velho.

“Não vejo isso como acréscimo de responsabilidade, porque só temos de fazer o que temos treinado. É dar o melhor e representar Portugal ao mais alto nível. Sem dúvida que é muito bom ter aqui quem nos acompanha no dia a dia. Vai ser muito bom e espero um bom espetáculo desportivo”, completou.

O presidente da Federação Portuguesa de Canoagem, Vítor Félix, atualizou esta terça-feira os números dos Mundiais, nos quais estão inscritos 1.700 atletas de 70 países, em cinco dias de competição, incluindo masters e a paracanoagem. A prova está orçada em 1,3 milhões de euros, “o que duplica o orçamento da federação em 2018”, e contará com um staff de 300 colaboradores.

“Claro que [o título de Fernando Pimenta] seria juntar o melhor dos dois mundos, a cereja no topo do bolo. Mas, enquanto país organizador, esta é a nossa primeira preocupação. Portugal tem hoje uma máquina experiente a trabalhar e que tem merecido a confiança das entidades internacionais”, congratulou-se o dirigente. Para melhorar a qualidade do certame, Vítor Félix destacou a colocação de uma barreira de vento ao longo dos 1.000 metros da pista, protegendo-a do vento lateral norte: “vai trazer maior justiça desportiva aos eventos”.

Além do desejado título mundial de Pimenta, o presidente da federação deposita confiança nos bons desempenhos do K2 500 Teresa Portela/Joana Vasconcelos, bem como no K4 500 que junta estas atletas a Francisca Laia e Francisca Carvalho, sem esquecer a Maria Rei, recente campeã do mundo de juniores de K1 1.000.

No setor masculino, o K4 500 de Emanuel Silva, João Ribeiro, David Varela e Messias Batista, bem como da C2 1.000 de Bruno Afonso e Marco Apura. Hélio Lucas é o treinador principal de Fernando Pimenta e dos caiaques femininos, Rui Fernandes voltou à seleção depois de dirigir quatro anos a do Brasil para assumir os caiaques masculinos, substituindo José Sousa que saiu da estrutura, enquanto as canoas estão a cargo do checo Jaroslav Radon.