A família de Zeca Afonso rejeita que os restos mortais do artista sejam transladados para o Panteão Nacional, segundo um comunicado divulgado esta quarta-feira pela TSF. A Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) tinha proposto, também em comunicado, que os restos mortais do músico fossem para o Panteão Nacional, justificando que esta era uma homenagem que Portugal devia a “quem como mais ninguém o soube cantar em nome dos valores da liberdade, da democracia, da cultura e da cidadania.”

Segundo o comunicado, citado pela TSF, a família lembrou que a vontade do artista era não ter honras de Panteão: “José Afonso rejeitou em vida as condecorações oficiais que lhe haviam sido propostas. Foi, a seu pedido, enterrado em campa rasa e sem cerimónias oficiais, em total coerência com a sua vida e pensamento. Por isso, apesar da meritória intenção que inspira a proposta, é a sua vontade que deve ser respeitada.”

A família acrescentou ainda que é fundamental a defesa do espólio e dos direitos de autor de Zeca Afonso “contando para tal com o superior envolvimento do Estado Português e da SPA, nomeadamente para que se garanta a recuperação e preservação das gravações originais.”

A viúva de Zeca Afonso já tinha dado sinais neste sentido. Já esta quarta-feira, Zélia Afonso disse que a sugestão da SPA foi uma “surpresa” e lembrou que “o Zeca pediu que fosse [sepultado] em campa rasa, em Setúbal” e que por isso continuava “determinada” a que assim continuasse. Dizia, no entanto, que haveria mais familiares que se podiam pronunciar sobre o assunto.