Direitos das Mulheres

Jornalistas angolanas promovem inclusão financeira de mulheres

O Fórum de Mulheres Jornalistas para Igualdade do Género em Angola considerou que o mercado informal no país está "cada vez mais violento", anunciando ciclos de formação para inclusão financeira.

Manuel Almeida/LUSA

O Fórum de Mulheres Jornalistas para Igualdade do Género (FMJIG) em Angola considerou esta quarta-feira que o mercado informal no país, envolvendo sobretudo mulheres, está “cada vez mais violento”, anunciando ciclos de formação para inclusão financeira.

A constatação foi apresentada pela coordenadora do FMJIG, Josefa Lamberga, no âmbito de um seminário Apoio a Projetos de Negócio de Mulheres Empreendedoras, realizado em Luanda, em parceria com o Banco Postal de Angola, garantindo a aposta neste domínio para inverter a situação.

O mundo informal é violento. Falando da nossa prática no país, particularmente em Luanda, as mulheres do mercado informal são mártires, são vítimas, são tudo. É verdade que pode haver alguma controvérsia sobre o direito ou não de vender neste ou naquele local”, disse.

O cenário da venda informal em Angola, que congrega um grande número de mulheres que buscam o sustento dos filhos, tem sido criticado nos mais variados círculos, sobretudo pela forma “agressiva” como muitos agentes da fiscalização combatem a prática.

No entender de Josefa Lamberga, para se inverter o atual estado de coisas, as mulheres vendedoras ambulantes ou que atuam no mercado informal, também conhecidas como “zungueiras”, precisam de formação no domínio da gestão de pequenos negócios. “E partimos para este debate de formação e de compreensão. Pedimos ajuda ao Banco Postal, que está muito ligado a pequenos negócios, ao mercado informal e precisamos desta formação para ajudarmos as nossas parceiras do mercado informal”, explicou.

Segundo a coordenadora do fórum, a inclusão da mulher no mundo económico é um dos desafios que esta plataforma se propõe enfrentar, porque, sustentou, as mulheres continuam a ter “pouco acesso” ao mercado do trabalho. “Porque as mulheres, embora sejam as que mais trabalham, embora tenham duplicidade de horas de trabalho, ainda são as mais mal pagas, têm dificuldades em aceder aos empréstimos. Tudo isto leva a que elas constituam as mais pobres da sociedade, a todos os níveis”, fundamentou.

O seminário sobre Apoio a Projetos de Negócio de Mulheres Empreendedoras, organizado em Luanda, surge no quadro da materialização da integração da economia informal na formal, através de ações de inclusão financeira e do desenvolvimento socioeconómico de Angola.

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