O site de saúde norte-americano Healthline agitou as redes sociais com a publicação de um guia direcionado para a comunidade LGBTQIA, em que se substitui a terminologia médica “vagina” pelo termo “front hole” (buraco da frente, em português). O autor do guia argumenta no texto original, posteriormente alterado, que o termo deve ser usado por existirem pessoas que não se identificam com a palavra aplicada aos seus genitais pela comunidade médica.

O site de saúde Healthline, juntamente com a Rede de Educação Gay, Lésbica e Heterossexual (GLSEN) e Advocates for Youth, publicou o Guia LGBTQIA Safe Sex, que expande a atual terminologia sexual. Na publicação da Healthline, feita com o propósito de “renovar” o discurso à volta da comunidade LGBTQI, condena os programas de educação sexual, que considera terem sido historicamente “desenvolvidos com base na suposição de que aqueles que recebem informações eram unicamente heterossexuais e cisgêneros” durante os períodos de “homofobia e transfobia desenfreada”.

“Para os fins deste guia, vamo-nos referir à vagina como o “buraco da frente” em vez de usar apenas o termo médico ‘vagina'”, pode ler-se no guia. “Esta é uma linguagem de género inclusiva que considera o fato de que algumas pessoas trans não se identificam com os rótulos que a comunidade médica atribui aos genitais”.

Entretanto, em resposta à polémica, a parte final desse parágrafo foi editada. Afirmando que os termos “buraco da frente” ou o “genital interno”, como alguns membros da comunidade transgénero se referem, servem para uma comunicação aberta com “pessoas de confiança e pessoal médico”, e não para “uma ampla discussão social”.

A origem do termo não é nova. O termo resulta de um estudo publicado pela BMC Pregnancy and Childbirth, onde dez homens transexuais fizeram recomendações de terminologia que pudesse ser alterada com o propósito de, com isso, ser mais inclusiva. No estudo, para além do termo “front hole” em vez de “vagina”, sugere-se a utilização do termo “chestfeeding” (amamentar ao peito) em detrimento de “breastfeeding” (amamentar à mama).

As redes sociais não deixaram escapar a publicação, onde acusaram o guia de desumanizar as mulheres e de deitar fora anos de trabalho em jardins de infância para que as crianças usem a terminologia correta.

Em resposta à atenção mediática gerada pela guia a Healthline publicou uma resposta onde afirmava não ter feito o guia com o propósito de alterar a linguagem científica. “’Buraco da frente’ é um dos vários termos aceites para a genitália que usamos especificamente para certos membros da comunidade trans que se identificam com ele. Em nenhum momento neste guia estamos a afirmar que queremos substituir a palavra νagina. ”, afirma a Healthline.

“O Guia de Sexo Seguro LGBTQIA foi criado para um público específico. Nada no artigo indica que estamos a apoiar uma mudança no palavreado. É claro que o seu propósito é apresentar conteúdo imparcial e apoiado por especialistas para os que buscam a saúde na comunidade LGBTQIA. Simplificando, o nosso propósito ao criar este guia foi fornecer informações sobre sexo seguro para aqueles que são frequentemente deixados de fora dessa conversa”, conclui a mensagem de resposta do site.