O Governo de Macau ainda não concluiu o programa de medidas estruturais de prevenção de catástrofes no território, um ano depois da passagem do tufão Hato, que causou dez mortos e prejuízos de 1.300 milhões de euros. O chefe do Executivo apresentou, em abril, um conjunto de “tarefas prioritárias no âmbito da prevenção e redução de desastres” com data de conclusão até 2021.

Além de estações elevatórias e esgotos com caixas de seccionamento para drenar as águas pluviais, com conclusão prevista para 2021, as autoridades querem avançar com a construção de um murete de proteção contra inundações no Porto Interior e comportas amovíveis na foz do rio das Pérolas.

O murete, com 2,13 quilómetros de comprimento e 1,5 metros de altura, bem como as comportas, um projeto a ser articulado com a China, só deverão arrancar no próximo ano. Em funcionamento já estão, pelo menos, duas medidas de prevenção: 16 centros de abrigo para mais de 24 mil pessoas e o aumento do número de alertas à subida do nível das águas.

Desde meados de abril que os 16 centros estão prontos para acolher pessoas a partir da emissão do nível laranja de ‘storm surge’, ou seja, quando previrem que o nível de água acima do pavimento poderá atingir valores entre 1,0 e 1,5 metros. O ‘storm surge’, ou maré astronómica, é a subida anormal do nível da água quando uma tempestade tropical se aproxima das áreas costeiras, podendo causar inundações em zonas baixas. O Governo de Macau alterou os avisos de ‘storm surge’, dos atuais três para cinco graus, para “assegurar a proteção da vida e bens da população, bem como de alertar o público para o nível de ameaça”.

Para garantir a segurança no abastecimento de água, a Direção dos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água (DSAMA) e a Sociedade de Abastecimento de Águas de Macau (SAAM) procederam à construção, nas suas instalações, de portas estanques nas bombas de água pluviais e nos postos elétricos e aumentaram a altura das comportas e o número de caixas de abastecimento temporário de água e o número de cabos de ligação até à estação de tratamento de água na zona norte de Macau.

Também o sistema de eletricidade do território vai ser reforçado, com a substituição das linhas aéreas por cabos de transmissão subterrâneos, e o aumento da capacidade de produção local de eletricidade vai ser acelerada com a instalação de geradores de energia a gás natural, até ao verão de 2021. Uma das consequências da passagem do maior tufão dos últimos 53 anos foi a revisão dos mecanismos de proteção civil, com a apresentação da nova Lei de Bases da Proteção Civil, cuja consulta pública terminou a 11 de agosto.

Além da constituição de um plano geral de emergência, está prevista a construção de uma plataforma de comando de emergências, com conclusão prevista entre 2020 e 2021. Oito dos dez países com o maior número de deslocados ou desalojados por causa de desastres naturais estão localizados no sul e no sudeste da Ásia, de acordo com um relatório da ONU.