Não têm sido dias fáceis para Donald Trump. Ou, pelo menos, é aquilo que tem sido dito e repetido pelos meios de comunicação social em todo o mundo. Na tarde de terça-feira, quase simultaneamente num tribunal em Nova Iorque e noutro à saída de Washington, Michael Cohen declarou-se culpado (num acordo feito com a justiça) e Paul Manafort foi condenado por vários crimes, como fraude fiscal e bancária. O primeiro, ex-advogado do presidente dos Estados Unidos, assumiu que pagou, a pedido do próprio, o silêncio de duas mulheres com quem Trump teve casos.

Entretanto, já esta quinta-feira, soube-se que David Pecker – presidente executivo da empresa que detém a National Enquirer, a revista associada aos pagamentos feitos às mulheres com quem Trump teve um caso – terá imunidade na investigação que continua a ser feita a Michael Cohen. O Wall Street Journal conta que Pecker, amigo próximo de Donald Trump, ter-se-á encontrado com os investigadores para descrever o envolvimento de Cohen e do próprio presidente nos pagamentos feitos às duas mulheres – depois de ter sido intimado a depor pela primeira vez há quatro meses.

Ex-advogado. Trump mandou pagar para silenciar duas mulheres com quem alegadamente terá tido relações

De acordo com o The Guardian, o acórdão aceite por Michael Cohen deixa entender que foi a empresa liderada por David Pecker que conduziu os pagamentos à atriz pornográfica Stormy Daniels e à ex-modelo da Playboy Karen McDougal. Ainda assim, nem o nome National Enquirer nem American Media Inc., a empresa que detém a revista, surgem diretamente nos documentos: são identificadas enquanto “revista 1” e “empresa 1”. A investigação concluiu que a American Media Inc. aconselhou Michael Cohen durante todo o processo e acabou por comprar as histórias de Daniels e McDougal para as “suprimir e prevenir que influenciassem as eleições”. “David Pecker ajudou a lidar com as histórias negativas sobre as relações de Trump com mulheres ao, entre outras coisas, ajudar a campanha a identificar essas histórias para que fossem compradas e a publicação fosse evitada”, revela a investigação.

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O Presidente dos Estados Unidos foi implicado num crime. E agora?

Mas o presidente norte-americano não parece estar preocupado com aquela que será a maior crise por que a administração que lidera já passou. Em entrevista à Fox News, Donald Trump afastou a hipótese de um impeachment e garantiu que o mercado económico dos Estados Unidos entraria em colapso caso isso acontecesse. Além disso, sugeriu que a colaboração de um acusado com a investigação em troca de uma pena reduzida “deveria ser ilegal”.

Se acontecer um impeachment, eu acho que o mercado colapsa. Acho que toda a gente seria muito pobre. Não sei como é que se faz um impeachment a uma pessoa que fez um ótimo trabalho”, disse o presidente dos Estados Unidos.

11 dos 12 membros do júri consideraram Manafort culpado de todos os crimes de que era acusado

Paul Manafort foi considerado culpado por um tribunal federal de oito crimes de fraude fiscal e bancária. Contudo, o ex-diretor de campanha de Donald Trump foi julgado por 18 crimes: o júri não chegou a consenso quanto a dez deles e o julgamento acabou por cair (sendo que os procuradores podem voltar a apresentar o caso em tribunal, se assim o entenderem). Agora, sabe-se que esses dez crimes não tiveram veredito devido a apenas um membro do júri; ou seja, 11 dos 12 membros do júri que julgou Paul Manafort consideraram que o ex-diretor de campanha de Trump é culpado dos 18 crimes de que foi acusado.

Ex-diretor da campanha de Trump condenado por fraude fiscal e fraude bancária

Paula Duncan, uma das juradas, contou à Fox News que o veredito não foi confirmado devido a um membro do júri que considerava ter “dúvidas razoáveis” sobre as responsabilidades de Manafort. “Todos tentamos convencê-la a olhar para os documentos. Pusemos tudo à frente dela uma e outra vez e ela continuou a dizer que tinha dúvidas razoáveis”, explicou Duncan.

A jurada, que confessou ser apoiante de Donald Trump e revelou que “esperava que Manafort fosse inocente”, disse que achou importante que os Estados Unidos soubessem o que se tinha passado. “Acho que o público, a América, precisava de saber o quão renhido isto foi e que as provas eram esmagadoras. Eu não queria que o Paul Manafort fosse culpado. Mas é e ninguém está acima da lei”, afirmou Paula Duncan.