A agência de viagens britânica Thomas Cook decidiu retirar os seus 301 clientes que estavam alojados um hotel egípcio num resort no Mar Vermelho, depois de dois dos seus clientes terem ali morrido em circunstâncias ainda por apurar.

Um porta-voz da Thomas Cook anunciou que os clientes serão transferidos do Steigenberger Aqua Magic Hotel em Hurghada devido a relatos de “um nível de doença elevado entre os hóspedes”. “A segurança é sempre a nossa prioridade, por isso como medida de prevenção tomámos a decisão de retirar todos os nossos clientes deste hotel”, declarou a empresa. Não foram dados pormenores, no entanto, sobre o tipo de doença em causa nem números concretos.

A Thomas Cook garante que o Hotel em causa tinha sido alvo de uma auditoria pela agência de viagens em julho e que tem uma avaliação de 96%.

A decisão surge esta sexta-feira, três dias depois da morte de John Cooper, de 69 anos, e da sua mulher Susan Cooper, de 63 — trabalhadores da Thomas Cook que estavam de férias no Steigenberger Hotel e que morreram em circunstâncias ainda por apurar.

As circunstâncias da morte continuam pouco claras. Estamos conscientes da especulação em alguns media de que as mortes podem ter sido provocadas por uma intoxicação por monóxido de carbono. Neste momento não temos provas que sustentem esta ideia”, explica a empresa.

O casal estava de férias no Egito com a filha e os três netos. A filha, Kelly Ormerod, assegura que o pai morreu no quarto de hotel, tendo a mãe morrido horas depois numa ambulância que a transportava para o hospital, por se ter sentido mal. “Eles não tinham problemas de saúde nenhuns”, declarou Ormerod em comunicado, acrescentando que ainda está em “choque total” e que aguarda os resultados das autópsias. A filha levantou a suspeita de que problemas no ar condicionado do quarto possam ter contibuído para a morte dos pais.

As autoridades locais, no entanto, insistem que tudo não passou da “morte normal de um senhor inglês velho e da sua mulher” e apresentam uma versão diferente dos factos: “O marido sentiu-se mal e foi levado para o hospital, onde morreu”, declarou Ahmed Abdullah, governador da província do Mar Vermelho, de acordo com o Telegraph. “Três horas mais tarde a mulher entrou em choque e morreu.” As autoridades egípcias falam em “colapso circulatório” como causa da morte.

O Egito tem atravessado um período de queda nos seus números do turismo na sequência da revolução que ocorreu em 2011, inserida nas manifestações da Primavera Árabe, como relembra a Reuters. Em 2015, um avião de passageiros russo que tinha como destino Sharm el-Sheikh foi atingido na península do Sinai, o que levou à interrupção dos voos da Rússia para o Egito durante dois anos.

A Thomas Cook avisou que vai oferecer aos seus clientes que foram retirados do hotel Steigenberger a possibilidade de ficarem alojados noutro hotel em Hurghada ou de regressarem a casa, se preferirem.