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Amazon recruta “exército de funcionários” para elogiarem empresa no Twitter

Um novo programa lançado pela gigante do comércio digital incentiva os seus funcionários a defender as condições de trabalho na empresa, em troca de um "gift card" de 50 dólares.

Getty Images

A gigante do comércio online Amazon voltou a estar no centro das atenções mas não pelos melhores motivos. Meses depois da polémica que punha em causa as condições de trabalho da empresa norte-americana, a companhia de Jeff Bezos reagiu e passou a encorajar os funcionários a elogiar a empresa no Twitter.

Segundo a Quartz, a Amazon, para tentar limpar a imagem da empresa, criou uma pequena unidade chamada “Fullfillment Center Ambassadors” (Embaixadores do Centro de Cumprimentos, tradução livre) composta por funcionários que trabalham nos armazéns, para contradizer os utilizadores do Twitter que critiquem a empresa.

A situação veio ao de cima quando um utilizador da rede social expôs um grupo de 14 de funcionários da empresa que defendiam a Amazon perante outros utilizadores com respostas bastante semelhantes. Bastante uniformizadas, as contas destes utilizadores distinguem-se pelo facto de terem “Amazon FC Ambassador” no final dos seus nomes de utilizadores e uma fotografia no armazém da empresa.

“O mais importante é que eles [os funcionários] estão aqui o tempo suficiente para compartilhar honestamente os fatos com base na sua experiência pessoal”, disse um porta-voz da Amazon à Business Insider. “É importante que façamos um bom trabalho de educar as pessoas sobre o ambiente real dentro de nossos centros de atendimento, e o programa FC Ambassador é uma grande parte disso junto com as visitas ao centro de realização que fornecemos.”

A mesma fonte garante que os 14 “embaixadores” não são pagos pelos seus tweets, mas recebem algumas formas alternativas de compensação. Um ex-embaixador garantiu ter recebido “um dia de folga pago e um ‘gift-card’ de 50 dólares da Amazon”, para coordenar uma reação contra críticas específicas, nomeadamente quando estas põem em causa as condições de trabalho da empresa, que surgiram depois de um artigo publicado pelo New York Times.

“Na Amazon, os trabalhadores são encorajados a destruir as ideias dos outros nas reuniões, a trabalhar durante longas horas (os e-mails chegam depois da meia-noite, seguidos de SMS a perguntar porque é que não houve resposta) e obrigados a seguir padrões de que a empresa se orgulha de serem “irrazoavelmente altos”. A agenda telefónica explica como é que os colegas podem dar feedback aos patrões uns dos outros. Os trabalhadores dizem que este sistema é frequentemente usado para boicotar os outros.”

O senador do partido democrata Bernie Sanders, juntou-se ao coro de críticas à empresa de Jeff Bezos, usando a empresa para criticar os abusos do capitalismo.

“Enquanto a riqueza de Jeff Bezos aumentou 260 milhões de dólares todos os dias neste ano, ele continua a pagar salários tão baixos a muitos funcionários da Amazon que são forçados a depender de programas financiados pelos contribuintes como vouchers de alimentação, Medicaid e moradias públicas para sobreviver”, pode-se ler no Tweet do senador norte-americano.

A Amazon saiu em defesa das condições de trabalho que oferece aos seus trabalhadores. “A Amazon está orgulhosa de ter criado mais de 130.000 novos empregos apenas no ano passado. São bons empregos com remuneração altamente competitiva e benefícios completos”, afirma a empresa em comunicado à Business Insider.

“Uma das razões pelas quais conseguimos atrair tantas pessoas para se juntar a nós é que a nossa prioridade é garantir um ambiente de trabalho seguro e positivo”, disse a Amazon no mesmo comunicado.

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