Vinte dias depois do grande incêndio de Monchique ter sido extinto, Rui Rio vai visitar as zonas afetadas pelo fogo. O presidente do PSD vai deslocar-se na próxima sexta-feira a Monchique e deverá ter um encontro na Câmara Municipal de Monchique e visitar duas das zonas mais afetadas pelo grande incêndio do início de agosto, segundo confirmou o Observador junto de fontes sociais-democratas. Os críticos de Rui Rio no PSD acusam o líder por não ter falado sobre o incêndio de Monchique e por ter delegado a função de criticar o Governo de António Costa em David Justino, sem interromper as férias.

Rui Rio está em silêncio desde 31 de julho e — tendo em conta a agenda já tornada pública — marcará presença na festa do Pontal em Querença (Loulé), a 1 de setembro. Mas Rio irá um dia mais cedo para o Algarve e a 31 de agosto às 15h30 já terá agenda em Monchique.

A inoperância do partido liderado por Rio neste mês de agosto foi, inclusivamente, criticada por um ex-líder do partido. O antigo presidente do PSD, Marques Mendes, disse no domingo que o PSD é um partido “parado, inativo, em férias, sem ter iniciativa e sem fazer oposição.” A crítica de Marques Mendes não foi isolada: embora não existam declarações públicas, vários deputados e notáveis militantes da ala de críticos têm criticado esta postura de Rio nos bastidores do partido.

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Apesar de não ter ido logo ao local, a líder partidária do outro partido da oposição, Assunção Cristas, criticou — ainda durante o incêndio, a 8 de agosto — a forma como a operação foi conduzida.

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Até Pedro Santana Lopes — em processo de criação de um novo partido, a Aliança — tentou ir a Monchique dar um abraço ao presidente da câmara local, Rui André, e à população, mas foi impedido pela GNR, que tinha a estrada cortada. O ex-líder do PSD contou que — a 7 de agosto, quando o incêndio ainda decorria —  tentou chegar à vila de Monchique, mas deparou-se com uma barreira GNR quando estava próximo da aldeia de Rasmalho.

Uma brigada da GNR disse então “educadamente” a Santana Lopes que não podia passar “por razões de segurança”. Tentou depois outro acesso, mas teve o mesmo destino. Ainda assim, contou Santana, manteve-se em contacto com o autarca Rui André.

A primeira reação do PSD ao incêndio de Monchique foi através de David Justino, a 13 de agosto, com o vice-presidente a criticar a “falta de recato e humildade do Governo” na reação ao incêndio.  “Se para o Governo está tudo bem, o que será então quando tudo correr normalmente? Será de temer o pior. Este Governo não tem ambição de fazer bem, contenta-se com o mal, sugerindo sempre que poderia ter sido pior”, criticou Justino,

Cristas e Catarina Martins em Monchique no mesmo dia

Rui Rio não é o único líder partidário a visitar Monchique esta semana. A líder do CDS, Assunção Cristas,  terá esta terça-feira um encontro com o presidente da câmara de Monchique, às 1oh00, e vai visitar a área ardida às 10h15.

Também a líder do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, visita esta terça-feira as áreas afetadas pelos incêndios no Algarve e vai reunir com autarcas da Câmara Municipal de Silves, da Câmara Municipal de Monchique e das juntas de freguesia de Monchique e Alferce.