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Elétricos

Leaf desilude. Afinal, os eléctricos coreanos são melhores

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O Hyundai Kauai Electric ainda não chegou a Portugal, mas já está à venda nos EUA, onde consumos e autonomia já foram homologados. É a surpresa geral! Bate os concorrentes e, sobretudo, o Nissan Leaf.

O Hyundai Kauai já chegou aos EUA e promete estar disponível no mercado português a partir de Outubro. Os seus dados de consumo e autonomia tornam-o um adversário temível

O Nissan Leaf é hoje o veículo eléctrico mais vendido no mundo (e também na Europa), e mesmo que deva ser ultrapassado este mês no ranking mundial pelo Model 3 da Tesla, é apontado por todos como um dos melhores produtos do seu segmento – senão o melhor – entre os alimentados a bateria. Com uma bateria de 40 kWh, uma potência de 150 cv e uma autonomia de 270 km (segundo já o mais realista método Worldwide harmonized Light vehicles Test Procedures, ou WLTP), o Nissan está sempre entre os melhores nas diversas categorias, devendo a isso mesmo o seu sucesso comercial.

É certo que alguns testes comparativos independentes já provaram que o seu meio-irmão Renault Zoe o consegue surpreender, ele que é o seu grande rival na conquista dos condutores do Velho Continente. Mas nos próximos meses, o Leaf vai assistir à chegada ao nosso mercado de dois concorrentes directos, ambos vindos da Coreia do Sul e com muito em comum, ou não fossem oriundos da Hyundai e Kia, marcas do mesmo grupo industrial. Dados de homologação europeus não são muito fidedignos (são anunciados pelos fabricantes, segundo uma base teórica), pelo que não permitem uma comparação directa. Mas, nos EUA, o Kauai Electric (que ali é comercializado como Kona Electric) já está disponível e a Agência de Protecção Ambiental (Environmental Protection Agency, EPA na sigla em inglês) já homologou os seus consumos e autonomia, o que permite compará-lo com os modelos que, como o Leaf, já estão no mercado há mais tempo. O reesultado foi uma surpresa.

Considerando a oferta de veículos abaixo dos 35.000 dólares (cerca de 30.000€) – o que de momento deixa de fora o Tesla Model 3 mais acessível, por ainda não estar disponível, apesar deste ser substancialmente maior do que estes seus rivais –, é possível comparar os dados recolhidos pela EPA, relativos ao novo Hyundai Kona Electric, comparando-o com os já conhecidos Chevrolet Bolt (Opel Ampera-e na Europa), Nissan Leaf e Hyundai Ioniq Electric.

Consumo: Ioniq o melhor mas Kauai não anda longe

Tendo presente que a eficiência energética depende do consumo, ou seja, da energia necessária para percorrer 100 km, o Leaf anuncia, de acordo com a EPA, um consumo de 30 kWh para percorrer 100 milhas, ou seja, 18,6 kWh por cada 100 km. Isto coloca o Nissan na última posição em necessidade de energia, atrás do Bolt e do Kona Electric, ambos com 17,4 kWh/100 km, e também do Ioniq, que atinge a boa marca de 15,5 kWh/100 km, de longe a melhor entre os quatro rivais.

Outra vantagem do sistema EPA é o facto de os dados anunciados diferenciarem logo as médias conseguidas em cidade e em auto-estrada. O menos guloso em energia continua a ser o Ioniq Electric, em qualquer das situações, com o Kona Electric a surgir como o segundo mais eficaz (ainda que com uma vantagem mínima sobre o Bolt), reivindicando 19,4 kWh/100 km em auto-estrada e 15,4 kWh em circuito urbano. O mais gastador continua a ser o Leaf, tanto em estrada como na cidade, onde foram determinados consumos de 20,8 kWh e 16,7 kWh, respectivamente, bastante superiores pois aos de ambos os modelos sul-coreanos.

Comparando estes valores da EPA com a norma europeia WLTP, é fácil perceber como ainda estamos a anunciar valores muito optimistas de consumos, especialmente face aos americanos, mesmo depois da troca do ultrapassado NEDC pelo novo WLTP. Basta ver que, na Europa, os quatro modelos anunciam consumos muito inferiores, de respectivamente 15,8 kWh (Ampera-e), 14,8 kWh (Leaf) e 13,7 kWh (Ioniq), com o Kauai a estar disponível com dois níveis de potência e duas capacidades de bateria (204 cv e 64 kWh e 135 cv e 39,2 kWh), o que lhe permite reivindicar consumos de, respectivamente, 13,2 kWh e 12,5 kWh. Tudo valores impossíveis de atingir, a menos que seja num percurso com uma dose considerável de descidas.

Os dados publicados pelos americanos da EPA permitem avaliar de forma mais concreta os consumos e a autonomia dos diferentes modelos eléctricos

Se o Kauai eléctrico deve chegar a Portugal em Outubro, o Kia Niro EV começará a ser disponibilizado mais junto ao final de 2018. O Kia não possui valores EPA, mas o fabricante já revelou os dados de acordo com o WLTP, que são ligeiramente superiores aos do Kauai Electric, apesar de recorrer às mesmas mecânicas e baterias. Isto fará deste eléctrico da KIA um ‘osso duro de roer’ para a concorrência, alinhando pelos atributos do irmão da Hyundai.

Para se ter uma ordem de grandeza, é bom ter presente que o Tesla Model 3, apesar da marca não divulgar as características da bateria, parece montar acumuladores com 50 kWh na versão normal (ainda não disponível) e 75 kWh na apelidada Long Range. Segundo a EPA, o Long Range (mais pesado e com motores mais potentes, que lhe permitem atingir 97 km/h em 5,1 segundos) tem um consumo de 16,1 kWh/100 km, batendo Leaf, Kauai e Bolt. E se considerarmos o consumo em cidade e em auto-estrada, o Model 3 volta a fazer melhor do que os três concorrentes já mencionados, ficando de fora o Ioniq por ser mais leve à custa de uma bateria com muito menos capacidade. A autonomia do Tesla Long Range é de 310 milhas segundo a EPA (499 km), mas será de 354 km (220 milhas) com a bateria de 50 kWh, um bom valor quando comparado com os dois rivais com acumuladores de 60 e 64 kWh, respectivamente Kauai e Bolt.

Autonomia: coreanos lideram também na distância

À semelhança do que acontece com os veículos locomovidos por combustíveis fósseis, a autonomia dos eléctricos depende do consumo e da capacidade da bateria. Segundo a EPA, o Nissan percorre apenas 151 milhas, ou seja 243 km (anuncia 270 km no WLTP com jantes 17”), fazendo apenas melhor do que Ioniq (200 km no EPA e 204 km no WLTP) porque a capacidade da sua bateria é de longe mais pequena (28 contra 40 kWh).

Frente ao Kauai e ao Bolt, com capacidades de 64 e 60 kWh, folgadamente à frente do eléctrico nipónico, o Leaf não tem grandes hipóteses, pois não só estes seus concorrentes oferecem mais 50% de capacidade, como são para cúmulo mais económicos. Daí que não seja de estranhar que o Bolt reivindique 383 km no EPA (380 km no WLTP) e o Kauai Electric 415 km (482 km em WLTP).

O Model 3 da Tesla não pertence a este segmento, servindo apenas para se ter uma ideia sobre a sua eficácia. Esta é a versão Long Range, com bateria de 75 kWh, maior e mais pesada

É certo que a Nissan prepara um Leaf com bateria de 60 kWh, mas é bom que consegua tornar o seu eléctrico mais eficaz, reduzindo-lhe o consumo, pois de outra forma dificilmente superará 364 km em WLTP, longe pois do Kauai Electric, que passa a assumir-se (juntamente com o Niro EV que não tarda) como das melhores propostas da classe. Pena é que a marca se limite a fabricar menos de 2.000 unidades por mês (e todas produzidas na Coreia), manifestamente pouco para o mercado global e longe das cerca das 10.000 unidades por mês do Leaf.

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