Recordar a última presença do Benfica na Liga dos Campeões é regressar à pior campanha de sempre dos encarnados nas competições europeias. Na temporada passada, a equipa da Luz ficou num grupo com Manchester United, Basileia e CSKA Moscovo, tendo acabado a prova com zero pontos e seis derrotas em seis jogos.

E que melhor motivação tem o Benfica na competição deste ano do que limpar a imagem deixada na edição passada? O todo poderoso Bayern Munique é o principal favorito do grupo E, mas o vice-campeão holandês, Ajax, e o AEK Atenas, campeão grego, são adversários ao alcance da formação portuguesa, que certamente quererá fazer melhor do que na última época e seguir em frente na prova.

Bayern Munique

O hexacampeão alemão é um dos todos poderosos do futebol mundial, com cinco Ligas dos Campeões no seu palmarés. A nível interno, é difícil encontrar concorrência para um Bayern que vem dominando o futebol germânico há largos anos, com 57 títulos nacionais no currículo; na Europa, o colosso alemão tem lutado para conquistar a principal prova do velho continente, mas, nos últimos 40 anos, apenas o conseguiu fazer por duas vezes: 2000/01 e 2012/13.

Destacar os melhores jogadores num plantel recheado de estrelas não é tarefa fácil (só por aí se vê o lote de possibilidades ao dispor do técnico croata Niko Kovac), mas é sempre importante referir Manuel Neuer como número um de Munique, Hummels, Boateng e Alaba como titularíssimos na defesa, Javi Martinez, Thiago ou o ex-FC Porto James Rodriguez num meio-campo repleto de qualidade e uma frente de ataque entregue a Muller, Robben, Ribéry e, claro, o polaco Lewandowski.

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Com a situação menos definida no plantel está o ex-Benfica Renato Sanches. Depois do empréstimo ao Swansea na temporada passada, ainda não é certo que o português fique no plantel do Bayern, podendo seguir para Paris ou para outras paragens. Em caso de permanência em Munique, Renato Sanches pode promover um esperado regresso à Luz.

De regresso à Luz está também o Bayern Munique, que nos quartos de final da Champions 2015/16 não foi além de um empate a duas bolas, que, ainda assim, eliminou o Benfica da prova. O histórico encarnado frente aos alemães não é, de todo, o melhor: oito jogos, três empates e cinco derrotas. 

Ajax

O vice-campeão holandês precisou de suar para chegar à fase de grupos da Liga dos Campeões, estando a disputar qualificações desde a 2.ª pré-eliminatória da prova: ultrapassou o Sturm Graz por 5-1 no conjunto das duas mãos, o Standard Liège por 5-2 e o Dínamo Kiev por 3-1.

Longe vão os tempos de Cruijff e companhia e do tricampeonato europeu entre 1970 e 1973 — a quarta e última conquista da Liga dos Campeões por parte do Ajax remonta a 1994/95. Este Ajax é diferente, sim, mas nem por isso deixa de constituir um perigo para a formação encarnada: Daley Blind, Tagliafico ou Veltman são nomes a ter em conta na defesa, o marroquino Zyiech e o dinamarquês Schone são um perigo no meio-campo e Tadic e Huntelaar são armas apontadas à baliza portuguesa.

O último duelo entre as duas formações aconteceu numa das caminhadas do Ajax até ao título europeu. Foi em 1971/72 que Benfica e Ajax se defrontaram nas meias finais da então Taça dos Campeões Europeus, com os holandeses a vencerem em casa por 1-0 e empatarem na Luz sem golos.

Antes disso, as duas equipas tinham medido forças na temporada 1968/69, por três vezes, com o desempate na finalíssima a sorrir aos holandeses (vitória por 3-0). Na primeira mão, o Benfica adiantava-se no marcador com um golo de grande penalidade cobrada por Jacinto, depois de Eusébio recusar a cobrança. Os encarnados ganhariam por 3-1 no Olímpico de Amesterdão, mas perderiam pelo mesmo resultado em casa, antes de serem eliminados da prova no terceiro e derradeiro encontro.

AEK Atenas

Foi uma temporada histórica para o AEK Atenas que conseguiu colocar termo ao domínio do Olympiacos, vencedor de sete das últimas oito edições da Liga Grega. Sete porque, à oitava, o AEK levou a melhor e recuperou um título que lhe fugia desde 1994. A formação da capital grega terminou a época no primeiro posto com mais seis pontos do que o PAOK, adversário eliminado pelo Benfica no playoff de acesso à Liga dos Campeões.

Se voltar ao topo o Olímpo grego já seria motivo de celebração suficiente para os adeptos do AEK, o regresso à fase de grupos da Champions é a cereja no topo do bolo: a formação de Atenas não participava na principal prova europeia desde 2006/07, quando terminou em terceiro num grupo com AC Milan, Lille e Anderlecht.

Entre Benfica e AEK Atenas, apenas dois confrontos. Foi na fase de grupos da Liga Europa 2009/10 e o saldo é equilibrado: em Atenas, os encarnados perderam por 1-0; na Luz, venceram por 2-1. E até houve uma grande penalidade falhada pelo brasileiro Felipe Menezes, mas um bis de Di Maria resolveu o jogo a favor dos encarnados.

Do plantel grego fazem parte os portugueses Hélder Lopes e André Simões, mas também o croata Marko Livaja, o grego Petros Mantalos ou o belga Viktor Klonaridis. Nomes a ter em conta na equipa de Rui Vitória.