No passado dia 11 de agosto, o modesto Litherland, da nona divisão do futebol inglês, jogou e venceu a pré-eliminatória extra da Taça de Inglaterra frente ao não mais conhecido Charnock Richard, por 4-2. Tudo corria bem para o pequeno clube de Liverpool, até ao apito final: terminada a partida, o Litherland ficaria a saber que corria o risco de ser desclassificado da prova por utilização indevida do jogador Warren Jevons.

Não, a situação não se assemelha ao caso do russo Cheryshev, que, em 2014/15, provocou a desclassificação do Real Madrid na Taça do Rei por ter participado na partida frente ao Cádiz quando se encontrava suspenso por acumulação de amarelos. Este caso é ainda mais insólito: o Litherland ficou fora da Taça de Inglaterra por não ter pago uma multa de dez libras (11 euros) relativa a um cartão amarelo visto pelo seu atleta.

Acontece que este amarelo refere-se à época anterior, quando Warren Jevons, de 22 anos, representava ainda o Knowsley North. O antigo clube do inglês deveria ter pago logo a multa, mas não o fez, com a responsabilidade do pagamento a passar para o clube que o contratou — o Litherland. Sem conhecimento de tal dívida, a formação que atua na North West Counties Premier Division utilizou o atleta na primeira partida oficial do seu calendário e acabou por sofrer uma pesada penalização.

Para além de ter sido eliminado da prova quando já tinha encontro marcado com o Leek Town na ronda seguinte da Taça, o Litherland viu ser-lhe retirado o prémio de vitória na ronda inaugural no valor de 2.000 libras e negado o acesso a futuras receitas de bilheteira na prova. Resultado: um prejuízo estimado de quase quatro mil libras (quase 4.500 euros).

O comité da Taça de Inglaterra mostrou-se compreensivo com o modesto clube da nona divisão, mas garantiu que não pode abrir exceções, nem às equipas do menor escalão do futebol inglês. Por sua vez, o Knowsley North já admitiu que deveria ter pago a multa na época passada, algo que de nada serve ao Litherland, que, segundo os regulamentos, ficou com a responsabilidade de verificar se as multas de todos os seus atletas estavam em dia. Mesmo aqueles que só este ano chegaram ao clube.

O Litherland pode recorrer da decisão do comité até às 18 horas desta quinta feira, mas é pouco provável que o faça, já que, para todos os efeitos, o clube concorda que deveria ter pago os 11 euros de multa, caso soubesse da existência da mesma. E evitaria perder quase quatro mil.