O político holandês Geert Wilders, conhecido pelas suas posições anti-Islão, cancelou os planos para um concurso de cartoons do profeta islâmico Maomé, que se realizaria em novembro deste ano. A decisão, segundo Wilders, vem na sequência de preocupações com a segurança de pessoas depois de várias ameaças de morte.

“Para evitar o risco de vítimas de violência islâmica, decidi que o concurso não se irá realizar”, afirmou em comunicado o político ligado à extrema-direita holandesa, avança o The Guardian.

O concurso motivou protestos no Paquistão, onde centenas de muçulmanos protestaram contra o concurso na capital paquistanesa, Islamabad. O partido político paquistanês Tehreeke-Labbaik, que organizou o protesto e procura que a blasfémia seja punida por lei, pediu ao governo paquistanês o corte de relações diplomáticas com a Holanda.

Wilders, que vive sobre proteção policial a tempo inteiro devido às ameaças de morte que recebe devido à sua retórica anti-Islão, afirmou que não queria que outros corressem perigo por um concurso que ele planeou. A decisão surge pouco depois de um apelo dos Taliban a atacarem as tropas holandesas que atuam no Afeganistão na missão de apoio à coligação da NATO como retaliação. O grupo terrorista deixou ainda uma mensagem para as forças de segurança afegãs para se juntarem à luta.

Se eles realmente acreditam que são muçulmanos ou têm alguma aliança com o Islão, devem virar as suas armas contra as tropas holandesas”, afirmou num comunicado um porta-voz dos Taliban.

Segundo o Islão, as representações físicas de Deus ou do profeta Maomé são proibidas e são consideradas blasfémia. No passado, várias tentativas de representar Maomé geraram violência. Em 2005, um cartoon num jornal dinamarquês gerou uma onda de protestos no mundo inteiro. O caso mais marcante de retaliações contra desenhos do profeta aconteceu 10 anos depois, quando um grupo de terroristas mataram 12 pessoas na redação do jornal satírico francês Charlie Hebdo, por ter publicado caricaturas.

“Isto não é sobre mim”, disse Wilders no comunicado. Sublinhando que ele não seria o único alvo da ira islâmica mas “todos os Países Baixos seriam um alvo”. O governo holandês, através do primeiro ministro, Mark Rutte, abordou o assunto. Apesar de ter questionado o motivo que levou Geert Wilders a organizar o evento, e mesmo não o apoiando, defendeu o direito de Wilders em fazê-lo. “O objetivo dele não é começar um debate sobre o Islão. O propósito é provocar”, afirmou Rutte.