Um balão ou um curto-circuito. São estas duas das possíveis causas do incêndio de grandes proporções que destruiu, durante a noite deste domingo, o Museu Nacional do Rio de Janeiro. A informação foi avançada pelo ministro da Cultura brasileiro, Sérgio Sá Leitão, citado pelo Estado de S. Paulo.

“O que uma fonte do museu me disse é que eles estavam a trabalhar com várias hipóteses. Uma delas seria a possibilidade de um curto circuito num laboratório, a outra poderia ser um balão porque, como o fogo começou no alto e depois foi descendo e na parte de trás, poderia ser um balão”, referiu Sérgio Sá Leitão, em declarações à Rádio Eldorado, acrescentando que “como o fogo começou em cima e na parte de trás, os vigias demoraram para perceber o incêndio e, quando perceberam, já não era mais possível que fizessem alguma coisa”. Em causa estaria um balão semelhante aos balões de S. João, que também são tradição em Portugal. No Brasil, o lançamento desses balões está proibido precisamente por causa do risco de incêndio.

O ministro classificou o incêndio, que provocou o desaparecimento de 200 anos de história do país, como uma”tragédia incomensurável”. Entre os 20 milhões de artigos de botânica, zoologia, paleontologia, geologia, antropologia e documentos históricos que terão sido perdidos, estava “Luzia”, o mais antigo fóssil humano das Américas.

De Luzia aos dinossauros, o que se perdeu no Museu do Rio?

Entretanto, o diretor do Museu Nacional, segundo o jornal O Dia, acredita que a hipótese do balão deve ser posta de parte tendo em conta que “o fogo terá começado no segundo andar, entre as salas das exposições indígenas e da sala das baleias”. “Neste andar também fica a sala do Imperador. Segundo os quatro vigias, foi onde terá começado”, acrescentou Alexandre Kellner.

A reitoria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) solicitou à Polícia Federal a realização de perícias para apurar as causas do incêndio.

A cultura e o património científico do Brasil e do mundo sofreram uma perda inestimável com o incêndio ocorrido no Museu Nacional da UFRJ. Há décadas que as universidades federais do país vêm denunciando o tratamento conferido ao património das instituições universitárias brasileiras e a falta de financiamento adequado, em especial nos últimos quatro anos, quando as universidades federais sofreram drástica redução orçamentária”, referiram em comunicado, divulgado pela agência Lusa.

O ministro da Educação, Rossieli Soares, confirmou que a Polícia Federal já iniciou as investigações às causas do incêndio, acrescentando que “o Governo está a olhar com muita atenção para isso”. Os trabalhos de investigação deverão ser intensificados logo após os bombeiros abandonarem o local, algo que ainda poderá demorar mais dois dias, tendo em conta que o rescaldo só está previsto terminar nessa altura.