Em resposta a críticas de ambientalistas, a marca de luxo Burberry anunciou que vai deixar de queimar os produtos que não forem vendidos e de usar peles de animais nas suas coleções.

Apesar de inicialmente ter defendido as suas ações, justificando que a energia gerada pela queima é captada, a Burberry acabou por recuar. Em comunicado, a empresa anunciou que vai abandonar esta prática “com efeito imediato”.

No mesmo documento, a marca de luxo declara que vai deixar de usar peles de animais nas suas coleções. De acordo com a Reuters, a empresa utilizava pele de coelho, raposa, marta e guaxinim nos artigos. Estas vão deixar de ser incluidos na nova coleção que será lançada este mês, a primeira sob a tutela do novo diretor criativo Riccardo Tisci — ex-designer da Givenchy que já vestiu personalidades famosas como Madonna e Beyoncé. No caso de produtos já existentes, estas serão gradualmente eliminados.

Esta medida foi bem recebida pela Peta (sigla inglesa para Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais). “As poucas marcas que se recusam a modernizar e a ouvir a esmagadora maioria da opinião pública contra as peles de animais estão agora em situações delicadas”, disse a fundação à BBC. “Se querem permanecer relevantes numa indústria que está a mudar, não têm outra escolha se não parar de usar peles roubadas a animais para os seus casacos, colarinhos e punhos.”

O anúncio surge depois de, em julho, ter sido noticiado que, em 2017, a empresa britânica queimou roupas, acessórios e perfumes no valor de 28 milhões de libras (cerca de 31 milhões de euros), totalizando 90 milhões de libras (mais de 100 milhões de euros) em produtos queimados nos últimos cinco anos.

A prática foi condenada pelos ambientalistas. Segundo o The Guardian, a Greenpeace chegou a acusar a Burberry de “não ter nenhum respeito pelos seus produtos e pelo trabalho duro e recursos naturais que são usados para os produzir”. Os próprios acionistas questionaram estas ações, sugerindo que os produtos fossem antes oferecidos a investidores privados.

O comunicado não é esclarecido qual será o fim alternativo dado a estes produtos. No entanto, a Burberry reforçou que os produtos invendáveis já estão a ser “reutilizados, reparados, doados ou reciclados”, esforço que a empresa diz querer “expandir”. É ainda sublinhado que a empresa iniciou no ano passado uma parceria com a Elvis & Kresse — uma marca de luxo sustentável — para que os restos de couro sejam transformados em malas e acessórios. O objetivo é reduzir a pegada ecológica para as zero emissões de carbono até 2022.

Queimar produtos que não são vendidos é uma prática comum entre as marcas de luxo, sendo uma forma de evitar que os artigos sejam roubados ou vendidos ao desbarato. Em maio, o The Guardian noticiou que a fabricante de relógios suíça Richemont — que detém a Cartier e a Montblanc — tinha destruído artigos no valor de 500 milhões de euros nos últimos dois anos para evitar a descida dos preços.