O Estádio Antona Malatinského, em Trnava, Eslováquia, foi o palco de um encontro peculiar entre a seleção da casa e a Dinamarca. A partida era de cariz particular, o resultado final pouco ou nada importava, mas, ainda assim, todas as atenções recaiam sobre a formação escandinava, que alinhava em campo sem as suas maiores estrelas: nomes como Christian Eriksen, Viktor Fischer ou Kasper Schmeichel não constavam da ficha de jogo; no seu lugar, figuravam desconhecidos como Rasmus Johansson, Adam Fogt ou Christoffer Haagh — foram 17 os estreantes na seleção dinamarquesa, entre jogadores da terceira e quarta divisão nacional e… um guardião de futsal.

Tudo se precipitou devido a um conflito entre a Federação Dinamarquesa de Futebol e o sindicato de jogadores profissionais relativo aos contratos de patrocínios da seleção, que levou a que nenhum clube da primeira e segunda divisões cedesse jogadores à equipa nacional, tendo os jogadores que atuavam no estrangeiro recusado também a presença no particular frente à Eslováquia e, ao que tudo indica, no encontro frente ao País de Gales, a contar para a primeira jornada da Liga B da Ligas das Nações.

E se fosse a seleção de futsal da Dinamarca a estrear-se na Liga das Nações? Opção está em cima da mesa

A Dinamarca chegava a Trnava com o ex-futebolista John Jensen como treinador interino (o norueguês Age Hareide regressou ao seu país de origem depois da recusa dos atletas) e um onze composto por um guarda-redes de futsal, seis jogadores da terceira divisão e quatro do quarto escalão, distrital. 

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Com uma equipa formada por amadores, esperava-se o pior para os escandinavos, mas a formação eslovaca não quis piorar a situação dinamarquesa e, desde cedo, se percebeu que o encontro serviria exclusivamente para cumprir calendário, numa atitude de respeito dos anfitriões. Resultado final: 3-0 para a seleção da casa e uma derrota comemorada como se de uma vitória se tratasse para os bravos vikings que defenderam a honra dinamarquesa no relvado de Trnava. E o desaire até ficou longe do pior resultado da história da seleção escandinava, uma goleada por 8-0 às mãos da Alemanha, em 1937.

Para que o resultado não se dilatasse, em muito contribuiu a boa exibição do guarda-redes Christoffer Haagh. Aos 31 anos, o guardião do JB Futsal Gentofte, que soma 50 internacionalizações pela seleção de futsal, trocou os pavilhões pelos relvados e estreou-se na baliza normalmente ocupada por Kasper Schmeichel com uma série de intervenções que deixaram água na boca.

Christoffer Haagh fez o que pôde, mas não conseguiu evitar o golo madrugador de Adam Nemec (11′) nem o segundo tento eslovaco, apontado por Albert Rusnák, aos 37 minutos. Já no segundo tempo, e com o encontro a jogar-se a ritmo de cruzeiro, Adam Fogt (estudante de ciência política) desviou a bola para a sua própria baliza (79′) e carimbou o 3-0 final a favor da Eslováquia.

No final, ficaram as recordações para quem nunca pensou envergar a camisola dinamarquesa, e que, no espaço de um dia, foi convocado e perfilou-se no centro do relvado para ouvir tocar o hino nacional, sem sequer ter realizado qualquer treino com a seleção escandinava. “Foi uma experiência totalmente doida”, explicava Rasmus Johansson, de 23 anos, jogador do Hellerup da terceira divisão e youtuber, com 15 mil seguidores a verem as suas apresentações de freestyle na plataforma de vídeo. “Foi uma honra estar perfilado e cantar o hino nacional”, completou.

“Foi um jogo em grande. Estivemos bem em campo e eles não conseguiram a goleada”, afirmou Christian Offenberg, atleta do Avarta da terceira divisão, ao site dinamarquês Politiken

Christoffer Haag trocou a baliza de futsal pela de futebol e brilhou no relvado de Trnava (Créditos: @cphaagh/Instagram)

No primeiro minuto do encontro entre Eslováquia e Dinamarca, as casas de apostas pagavam 28 euros por cada euro apostado na vitória da formação escandinava; aos 20 minutos de jogo, a recompensa já era de 6o euros. Os preços dos ingressos para a partida foram fixados em um euro, depois da confirmação da equipa amadora apresentada pela Dinamarca.

No próximo domingo, os dinamarqueses têm estreia marcada na Liga B da Liga das Nações, frente ao País de Gales. A Federação está a tentar resolver o conflito com os atletas profissionais e evitar a entrada em campo com amadores numa partida oficial, mas, até pela prestação frente aos eslovacos, Rasmus Johansson, Adam Fogt ou Christoffer Haagh são os maiores candidatos a alinharem contra Bale e companhia.