Cuidado: está quente

Mano a Mano: Cicciolina vs Mona Lisa no novo restaurante italiano de Lisboa

Nesta novidade da capital come-se italiano, dos pratos mais comuns aos menos conhecidos. Pizzas, assados, massas e arancinis: escolha não falta.

Diogo Lopes/Observador

O que interessa saber

Nome: Mano a Mano
Abriu em: Setembro de 2018
Onde fica: Rua do Alecrim, 22, Lisboa
O que é: O mais recente restaurante italiano da capital, onde tanto se podem comer pizzas e massas. Não faltam também alguns outros pratos mais tradicionais.
Quem manda: O Grupo ShushiCafé em parceria com António Oliveira e Silva
Quanto custa: Entre 20 e 25€ por pessoa
Uma dica: A carta de vinhos tem algumas referências italianas. Quando aqui vier, experimente apostar nestes néctares, podem ser uma boa introdução no mundo da vinicultura transalpina.
Contacto: 914 054 273
Horário: Das 12h às 24h, não fecha
Links importantes: Facebook 

A História

“Desculpem a intromissão, mas estão a falar da nova música do Salvador Sobral, não estão? Epá, adoro-a! Custou-me um bocado apanhar a letra, mas agora estou sempre a ouvi-la”. Numa viagem de táxi por Lisboa, foi esta a interjeição quando o assunto que se comentava era o novo restaurante italiano de Lisboa, o Mano a Mano. “Ah! Desculpem! Fiz confusão” Como os nomes são iguais… Sabe como é…”, rematou o condutor, depois de ser esclarecido.

Comparar o único vencedor português do Festival Eurovisão da Canção com um restaurante pode parecer estranho, mas tiremos uns minutos para analisar o caso. Salvador destacou-se da concorrência por apresentar um estilo e uma atitude diferentes dos restantes concorrentes da competição. O Mano a Mano, por sua vez, também procura fazer o mesmo: “Não quisemos ser iguais aos outros sítios, às mil pizzarias  que já existem por aí, daí complementarmos a oferta com mais que isso”, explicou ao Observador António Oliveira e Silva, empresário e apaixonado pela gastronomia itálica que é um dos líderes deste novo projeto.

É esta vontade de ser diferente que está na base da casa que agora abriu e que — tal como Salvador — assume um espírito competitivo. O nome Mano a Mano está ligado, precisamente, à dualidade que pauta toda a oferta gastronómica: prefere uma pizza ao estilo romano ou napolitano? Uma pasta tradicional ou uma Saltimbocca alla Romana acompanhada por uma espécie de salada de feijão branco com laranja e sálvia (fagioli cannellini Al Profumo di Arancia e Salvia)? Um vinho português ou um italiano? Foi com base nesta espécie de competição onde se sai sempre a ganhar que surgiu o conceito por trás da Mano a Mano.

Assim que entra no Mano a Mano vê logo a cozinha aberta. ©Diogo Lopes/Observador

“Sempre fui apaixonado pela gastronomia italiana”, explicou António ao Observador. Depois de já ter alinhado com o Grupo SushiCafé no projeto Este Oeste (que junta, precisamente, pizzas e sushi), este empresário decidiu alinhar noutra “aventura”. A sua primeira incursão como restaurateur deu-se no Algarve, com a pizzaria Casavostra, em Almancil: “Conheci a Maria Paola, a mentora da Casanova [restaurante normalmente referido como “a pizzaria do Lux”], e convencia-a ensinar-me a cozinhar. Correu muito bem, viajámos por Itália a provar e a aprender. Depois regressei, dei formação à minha equipa, e pronto”, conta o mesmo António.

O Espaço

Esqueça as toalhas aos quadrados vermelhos e brancos, os fiascos (aquelas garrafas de vinho com base em vime) com velas derretidas e todo esse cenário que facilmente apareceria na casa de uma nonna italiana. Aqui não há nada disso — e dá para o perceber assim que chega à fachada do restaurante, pautada por umas enormes janelas viradas para a rua. Madeiras claras tipo pinho e pormenores em mármore — como o topo das mesas, por exemplo — são a base da decoração desta nova casa.

Logo à entrada “choca de frente” com a zona de cozinha aberta onde pode ver o trabalho dos cozinheiros e pizzaiolos assim como os gigantescos fornos a lenha da marca Valoriani (que tem mais de 100 anos, foi criada nos arredores de Florença e ainda é gerida pela família do fundador, Pietro Valoriani), onde são terminadas as pizzas, por exemplo. À esquerda mora uma pequena zona de bar e à direita aparece o início da sala de refeições, que depois se estende ao comprido e termina num enorme aparador que serve de garrafeira e mesa de apoio para o staff de sala.

A sala de refeições do restaurante. ©Diogo Lopes/Observador

Já foi mencionado o conceito de “contrastes” que caracteriza este novo Mano a Mano, contudo, os seus responsáveis decidiram transportar a ideia para um formato mais visual: e isso nota-se na decoração das ementas, por exemplo, onde imagens da atriz porno Cicciolina surgem ao pé da famosa Mona Lisa (duas noções diferentes de beleza feminina), ou o próprio Silvio Berlusconi aparece ao lado de uma pintura do imperador Júlio César, os dois grandes “DDT” italianos. Passemos ao que interessa: a comida.

A Comida

Fartura. Se há coisa que não falta na cultura alimentar italiana é a noção de “pouca comida”. Ora é precisamente isto que se nota quando olhamos para a carta deste Mano a Mano. Dividida em sete categorias — “Antipasti”, “Insalate”, “Primi”, “Secondi”, “Contorni”, “Piatti Unici” e “Pizze” –, a ementa é rica em variedade, começando logo na secção das entradas, onde pode escolher, por exemplo, entre os arancini (especie de croquetes de arroz que neste caso surgem temperados com açafrão, queijo scamorza e oregãos (8,50€/três unidades) ou até o crostini Mano a Mano, uma espécie de tosta de pão (feito no restaurante) barrada com ‘Nduja (pasta de porco) que leva mozzarella e tomilho (5,50€/quatro unidades).

É no capítulo dos “Primi” que encontra a maior parte dos pratos de massa — que é sempre feita na casa, também –, entre eles o surpreendente tagliolini con baccalà e salsa verde, uma aveludada massada de bacalhau (14,50€) ou outros clássicos o spaghetti alla carbonara (12,50€). Um pormenor interessante que aqui se pode encontrar é o do ritual da lasanha que , apesar de poder ser servido à unidade todos os dias de semana (12,50€), ao domingo ganha um cariz mais familiar, sendo esta servida em tabuleiros (40€ p/4 pessoas ou 55€ p/6). É uma espécie de “cozido de domingo” à lá italiana.

A saltimbocca alla romana com salada de feijão e laranja. ©Diogo Lopes/Observador

Os pratos mais compostos encontramos, por exemplo, na secção dos “Secondi”, onde aparecem referências como a menos comum saltimbocca alla romana (escalope de vitela com prosciutto de Parma e sálvia, 11,50€) que pode vir acompanhado por qualquer uma das referências que surgem no capítulo dos “Contorni”, como os fagioli cannellini al profumo di arancia e salvia, uma mistura de feijão branco com laranja e sálvia (4,50€). Se quiser algo mais substancial, procure na lista dos “piatti unici”, onde encontrará, por exemplo, guancia di vitello brasata al vino rosso con purea de patate all’olio d’oliva extravergine e limone (14,50€), ou seja, bochechas de vitela estufadas com vinho tinto, puré de batata com azeite extra-virgem e limão.

Alguém perguntou por pizzas? Cá estão elas. Existem vários tipos de receita para a base destes discos de gulodice, dois dos principais são a receita napolitana e a romana, que divergem apenas no facto da segunda levar azeite na receita da massa, o que a torna ligeiramente mais fina. Prove a clássica Diavola (molho de tomate, mozzarella de búfala, mozzarella fiordilatte, ventricina e oregãos; 14€) ou a mais inovadora  Mano a Mano, que leva molho de tomate, mozzarella de búfala,queijo Grana Padano, proschiutto de Parma, tomate cherry e manjericão (12€). No total, tem 15 por onde escolher. Não se esqueça é de deixar espaço para sobremesas como a deliciosa panna cotta de caramelo salgado (sim, leu bem). Tudo isto é obra da chef Laura Schneider, que fez grande parte da sua formação em Florença e, pelo que apresentou, aprendeu bem a lição.

“Cuidado, está quente” é uma rubrica do Observador onde se dão a conhecer novos restaurantes.

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