O presidente da República lamentou esta sexta-feira a falta de acordo entre Governo e sindicatos de professores, admitindo que o executivo vá “avançar unilateralmente” com uma iniciativa legislativa pela qual disse que irá esperar.

“Era uma hipótese que eu admitia e isso significa que não foi possível compatibilizar as duas posições. Assim, provavelmente, o Governo avançará unilateralmente com uma iniciativa que só satisfará parcialmente as pretensões dos sindicatos e, se for assim, eu tenho de esperar pela iniciativa legislativa do Governo”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, no Porto, quando confrontado com a falta de acordo entre professores e a tutela sobre a carreira de docente.

Esta sexta-feira, uma plataforma de sindicatos de professores esteve reunida com o ministério da Educação com a contagem do tempo de serviço para efeitos de carreira em cima da mesa, com os docentes a exigirem que a contagem do tempo em que a carreira esteve suspensa seja reposta por completo, nove anos, quatro meses e dois dias. “Se não há acordo provavelmente o Governo seguirá até onde estabeleceu o limite”, disse Marcelo Rebelo de Sousa.

Governo e professores falham acordo sobre tempo das carreiras. Greve de outubro vai ter quatro dias

Já ao início da tarde o Presidente da República havia-se mostrado expectante sobre o resultado das negociações e havia dito esperar que ano letivo começasse com “normalidade”. As declarações do chefe de Estado foram feitas no final de uma visita à feira do livro, durante a qual, confessou, Marcelo Rebelo de Sousa aproveitou para enriquecer a sua biblioteca, admitindo que contou com a boa vontade do presidente da Câmara do Porto.

“Eu saí uma fortuna ao senhor presidente da câmara, eu queria comprar mas não tinha trocado, às tantas já não tinha dinheiro, eles também não tinham cartão e o senhor presidente da câmara foi oferecendo. Saio daqui devedor”, admitiu.

Marcelo Rebelo de Sousa partilhou que leva da Feira do Livro mais “cerca de 25 livros”, que irá ler nas deslocações à Letónia e nas viagens de automóvel que o esperam nos próximos dias.

Sobre a Feira do Livro, onde esteve cerca de três horas e visitou os 150 ‘stands’ de venda, além das muitas ‘selfies’ que tirou com quem estava no evento, o chefe de Estado destacou as melhorias de que o certame tem vindo a ser alvo.

“Respira-se melhor, bancadas, muito mais amplas de acesso, achei tudo com uma organização, já para não falar daquela parte que apareceu de alimentação que convida a ficar na feira mais tempo”, descreveu.