Membros da administração Trump terão realizado reuniões “secretas” com líderes de grupos rebeldes venezuelanos para discutir planos com vista a derrotar o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, escreve este sábado o The New York Times citando fontes norte-americanas e venezuelanas envolvidas nestas reuniões.

Um dos comandantes envolvidos nos encontros era precisamente um militar de topo que constava, ele próprio, da lista de venezuelanos corruptos emitida pelos Estados Unidos, acusado de prender e torturar opositores do regime, atacar civis, traficar drogas e apoiar as FARC (da Colômbia), consideradas pelos EUA uma organização terrorista.

Ainda segundo o The New York Times, o plano acabou por não avançar porque os Estados Unidos decidiram não apoiar os rebeldes venezuelanos.

A Venezuela enfrenta a pior enorme crise socio-económica da sua história, que já forçou perto de 4 milhões de venezuelanos a abandonar o país para escapar à fome e à escassez de bens essenciais, como medicamentos.

O presidente do país, Nicolás Maduro, que assumiu o cargo em 2013 depois da morte de Hugo Chávez, tem insistido que os “imperialistas” dos Estados Unidos conspiram para o retirar do poder. No mês passado, quando foi alvo de um suposto ataque com um drone durante uma parada militar, Maduro não hesitou em culpar a direita “imperialista”, nomeadamente a Colômbia e os Estados Unidos.

Quando Donald Trump ameaçou, em agosto de 2017, que tinha uma “opção militar” para intervir na Venezuela, os rebeldes sentiram-se motivados para tentar contactar a Casa Branca, explica o jornal norte-americano.

Os rebeldes, que se reuniram diversas vezes com elementos ligados à administração Trump, terão pedido aos Estados Unidos que lhes fornecessem rádios encriptados para que pudessem comunicar de forma segura sem serem intercetados pelo governo venezuelano. Mas o governo norte-americano não forneceu os rádios e acabou por ser retirar do plano depois de vários dos venezuelanos envolvidos nas reuniões terem sido detidos.

The New York Times conta também que a abordagem de um grupo de rebeldes foi feita através da embaixada dos EUA num país europeu.