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O dia é atípico para o Sporting. Afinal, há eleições para a presidência do clube, eleições que chegaram antes do que estava marcado no calendário. Mas em Loulé, a 300 quilómetros do Estádio José Alvalade, há um jogo que em tudo tem a ver com o ato eleitoral. E já vai perceber porquê. João Benedito, candidato a líder máximo dos leões, foi o primeiro a votar. Chegou cedo, às 9h30, e talvez não contasse ter de esperar mais de uma hora para depositar o seu voto. Mas esperou. À saída, reconheceu aos jornalistas estar “um bocadinho apressado”. Afinal, ia sair “diretamente para Loulé para ver o jogo”. O tal jogo que tem tudo a ver com o ato eleitoral e que opôs Sporting a Fabril na final da Supertaça de futsal.

O candidato a presidente do Sporting não quis perder a oportunidade de ver a antiga equipa conquistar a prova pela oitava vez — e assim igualar o Benfica no topo dos clubes com mais Supertaças no museu. É que se o historial dos leões no campeonato é muito superior em relação ao do rival — 15 vitórias para sete dos encarnados –, na Supertaça a história é outra. Ou era. Porque agora o Sporting tem as mesmas oito conquistas, depois de este sábado ter goleado o Fabril por expressivos 11-0. Nuno Dias e os seus comandados deram uma alegria a João Benedito, que esteve em sete das oito conquistas da prova por parte dos verde e brancos.

O técnico do Sporting tinha prometido uma equipa sem falsas modéstias — afinal era largamente favorita em relação à formação do Barreiro, que desceu à segunda divisão no final da época passada –, mas também “sem relaxamentos ou descompressões”. Os primeiros minutos confirmaram as palavras de Nuno Dias. O Sporting entrou com o rolo compressor nos pés, a atacar de todas as formas e feitios (incluindo nas bolas paradas, tão trabalhadas pela equipa técnica leonina) e rematando quatro vezes à baliza de Motoka em apenas um minuto (Merlim em metade dessas intervenções).

Foi, por isso, sem surpresas que o Sporting se adiantou no marcador logo aos dois minutos. Merlim furou pela esquerda, fletiu para dentro — num movimento já típico do italo-brasileiro –, descobriu Léo na direita que, ao primeiro toque, assistiu Cavinato ao segundo poste. O 2-0 havia de chegar três minutos depois, numa jogada estudada: a reposição lateral saiu direitinha aos pés de Dieguinho, que, de primeira, fez a bola entrar colada ao poste. O técnico José Soares ainda pediu a pausa técnica para tentar travar o Sporting e retomar a estratégia para o jogo, mas caiu tudo por terra. Nem dois minutos depois, o mesmo Dieguinho recuperou a bola, tabelou com Edgar Varela na esquerda, e outro Varela, Pany, encostou para o terceiro golo. Na jogada seguinte, os mesmos três intervenientes ainda fizeram o quarto; mas desta vez foi Dieguinho a dar o toque final.

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O Sporting estava avassalador e já vencia por 4-0 aos sete minutos. O Fabril defendia lá atrás, sem agressividade, e mostrava um nervosismo que lhe travava os movimentos. Aproveitou Merlim que, de uma assentada, fez o quinto e o sexto golos: primeiro num remate de belo recorte técnico que só parou na “gaveta”; e depois, num livre direto que entrou direitinho no ângulo. Estava feita a meia-dúzia em oito minutos infernais do Sporting e já cheirava a recorde: 7-0 era o resultado mais dilatado de sempre numa final da Supertaça de futsal e os leões queriam bater a sua própria marca quando derrotaram o Fundão em 2014.

Do Fabril, na primeira parte, restou apenas um remate de Kiko, aos 13 minutos, que nasceu de uma transição rápida e que passou muito perto do poste esquerdo de Gonçalo Portugal. O Sporting ia abrandando o jogo e gerindo o ritmo, mas havia um recorde de golos para bater, lembra-se? Já no segundo tempo, aos 28 minutos, Cavinato fez o que já tinha feito na primeira parte e voltou a abrir o marcador. Pany Varela progrediu pela esquerda e descobriu o italo-brasileiro estacionado ao segundo poste; foi só encostar. No minuto seguinte, o mesmo Cavinato recuperou a bola a meio campo, deu para Pany Varela que, desta vez, assistiu o “miúdo” Dani para o 8-0.

Estava batido o recorde de maior número de golos marcado numa final da Supertaça, mas nem isso fez o Sporting tirar o pé do acelerador. Merlim, em mais um gesto de fora para dentro, rematou colocado para o 9-0, Pany Varela seguiu-lhe as pisadas e elevou a fasquia para os dois dígitos e, a quatro segundos do final, Pedro Cary ainda conseguiu fechar em beleza ao marcar na sua cidade-natal. No fim, João Benedito sorria na bancada. Terão valido a valido a pena os 300 quilómetros percorridos e a tal saída apressada. A antiga equipa levantou a Supertaça no dia em que se pode tornar presidente do Sporting.