Ciência

Casal milionário extraiu sémen do filho encontrado morto para poder ter um neto

159

Depois da morte do único filho num acidente de mota, um casal britânico milionário decidiu extrair o sémen do rapaz para poder ter um neto. O problema é que toda a operação é ilegal no Reino Unido.

O sémen sobrevive até 72 horas depois da morte do ser humano

Getty Images

Tinham pouco mais de 50 anos quando o filho, de 26, foi encontrado morto na berma da estrada depois de estar desaparecido durante dois dias. Tinha tido um acidente de mota num sítio remoto e o corpo só foi encontrado 48 horas depois. Era o filho único de um casal de ingleses “extremamente rico” que não se deixou toldar pela dor e pela perda e agiu rápido: até porque não havia qualquer tempo a perder. Com a morte do único herdeiro, o casal percebeu que tinha de tomar uma qualquer atitude para preservar a descendência. Como o sémen sobrevive até 72 horas depois da morte do ser humano, os ingleses decidiram contratar um urologista que o extraiu, congelou e armazenou durante quase um ano.

Mas havia um problema: a lei do Reino Unido proíbe tudo isto. O filho do casal milionário não estava a ser acompanhado em qualquer clínica de fertilidade nem sequer tinha autorizado a extração e o armazenamento de sémen post mortem. Ou seja, no que à lei dizia respeito, tanto o casal como o urologista tinham cometido um crime. Os dois ingleses contactaram a Autoridade de Fertilidade e Embriologia Humana britânica, pediram uma análise ao caso e esperaram durante um ano. 365 dias depois, não quiseram arriscar durante mais tempo a única hipótese de ter um herdeiro e contrataram um mensageiro que cruzou o oceano até aos Estados Unidos.

O destino final era a clínica de fertilidade La Jolla, em San Diego, na Califórnia, que é uma referência a nível internacional no que toca a técnicas de reprodução assistida. Além disso e ainda mais importante, é a clínica onde trabalha um médico bastante conhecido por ter poucos escrúpulos no que toca à ética da profissão: David Smotrich. O obstetra e ginecologista terá ajudado várias personalidades — da política à aristocracia britânica — ao longo dos anos a contornar as leis do Reino Unido que dizem respeito à fertilidade, incluindo a que proíbe os pais de escolher o género do bebé.

Nascimento nos Estados Unidos

Assim sendo, a criança acabou por nascer nos Estados Unidos em 2015 graças à colaboração de uma doadora de óvulos norte-americana e de outra pessoa que aceitou ser barriga de aluguer. Graças às técnicas de seleção de género, o casal britânico escolheu ainda que o neto seria um rapaz, além de que foram nomeados tutores legais da criança e estiveram presentes no momento do nascimento. A criança, agora com três anos, vive no Reino Unido com os avós.

Em declarações ao Daily Mail, David Smotrich confirmou a história mas não revelou a identidade do casal para que não estes não sofram repercussões judiciais. O médico contou ainda que os dois ingleses foram “muito específicos” quanto ao tipo de pessoas que escolheram para ser doadora de óvulos e barriga de aluguer, já que tinha de ser alguém que tivessem aprovado enquanto mulher do filho.

Smotrich disse que ainda recebe postais da família no Natal e que conserva nos Estados Unidos parte do esperma extraído do filho do casal e três embriões congelados. “Não estou aqui para julgar quem deve ser pai e quem não deve ser. Segundo o que eles me contaram, ele queria ter filhos e eu fico contente por ter podido dar um final feliz a uma história trágica” afirmou o médico norte-americano, acrescentando ainda que todo o procedimento custou entre 70 e 115 mil euros.

Tanto o casal como o urologista inicial, passando pelo mensageiro, podem sofrer consequências judiciais em território britânico caso a sua identidade seja revelada. Atualmente, no Reino Unido, nascem cinco crianças por ano graças à fertilização in vitro em casos em que o pai já não está vivo no momento no nascimento: mas em todos eles é necessária a autorização prévia do progenitor.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: mfernandes@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)