Madonna, rainha da pop, entra num avião e ocupa o seu lugar na classe executiva, numa viagem que vai de Londres para Lisboa. Herman José, rei do humor em português e do Instagram no geral, está no mesmo avião, uma cadeiras ao lado. Porque é que ele repara nela? Por causa do maior dos clichés: “Ela foi a última a entrar no avião, com um chapéu e um lenço de tal maneira exagerados que chamaram a atenção”. Nem mais, palavra de Herman: a última a entrar no avião, de tal maneira disfarçada que qualquer pessoa percebe facilmente que algo fora do habitual se passa. Ou então não: “Curiosamente, para os restantes passageiros da executiva, ela passou completamente despercebida. Ironicamente, havia uma senhora que estava muito excitada mas era comigo. O mesmo aconteceu com a simpatiquíssima tripulação com quem acabei por tirar umas selfies.”

Herman José responde ao Observador numa espécie de crónica rápida do caminho das estrelas. Quando o humorista percebeu que ia partilhar o mesmo voo com Madonna, pensou e sentiu o mesmo que qualquer outra pessoa: “Achei o máximo. A presença de uma figura como ela toca-me muito. Trata-se de uma figura maior do espetáculo mundial.” Tal e qual o que qualquer mortal sentiria. Atenção que Herman já tinha conhecido e trocado umas palavras com Madonna, mas nem isso foi suficiente para evitar a surpresa. “Já tinha falado com ela cerca de cinco minutos”, diz, lembrando o momento em que foram apresentados “na festa de anos do Giancarlo Giammetti”, o italiano dado aos negócios e às coisas da moda. Nessa altura, em Lisboa, Madonna foi “cordial e interessada”. “Obviamente que não me reconheceu”, afirma Herman, referindo-se já ao interior do avião da TAP.

Com Madonna, viajavam “duas companhias femininas e um casal que imagino seria de seguranças”. No post que publicou no Facebook, Herman escrevia: “Não deixo de sentir nestes momentos, que a fama total e global implica que se pague um preço altíssimo”. A propósito, este tipo de reação é compreensível ou haveria possibilidade de levar estes momentos de outra forma?

“Já tive a felicidade de contactar com nomes de grande afabilidade como o Sting, a Dionne Warwick, o Tony Bennett, a Anastasia, o Júlio Iglesias, o Larry King, o Elton John, o Tom Jones, a Cher, a Kylie Minogue, o Woody Allen, a Diana Krall, a Cristina Aguillera e tantos outros… e nunca vi tanta necessidade de evitar qualquer contacto. Imagino que tenha as suas razões, e respeito-as”.

Até porque Herman, celebridade por conta própria, sabe ainda assim que não é possível comparar escalas de popularidade tão distintas: “Sempre disse que ser conhecido num pequeno país, não é comparável à fama mundial. Para mim é fácil lidar com a popularidade. Mas tente ir às compras a Paris ou Nova Iorque com o Cristiano Ronaldo, a única vedeta portuguesa global, em hora de ponta… Revela-se uma tarefa impossível”. E acrescenta que “cada caso é um caso”. Para o demonstrar, recorda um de má memória: “Se o Gianni Versace levasse a sua segurança mais a sério, ainda hoje estaria vivo. É legítimo tentar proteger-se de uma surpresa desagradável a todo o custo”.

Esta lotaria dos lugares de avião em que o resultado dá Madonna ali ao lado resultou numa viagem fugaz que nem deu em encontro imediato. Mas, já agora, de que episódios em formato “olá como vai” não guarda bons recuerdos? Há pelo menos três no currículo do humorista: “As minhas maiores desilusões foram os encontros com o Frank Sinatra no Porto, com o Jerry Seinfeld em Montecarlo e o Quincy Jones em Cap d’Antibes. Agressivos de tão antipáticos”. Ou seja, antes as surpresas dentro de aviões. Por exemplo: “Já tive tantas e tão boas… A mais suculenta foi uma viagem de Concorde Nova Iorque – Lisboa na conversa com o Henry Kissinger. Três horas históricas e irrepetíveis. Lembro uma travessia de Nova Iorque para Los Angeles ao lado do advogado Robert Shapiro em pleno julgamento do caso OJ Simpson, grande conversador e homem de imensa curiosidade intelectual. A mais animada foi uma viagem para Roma em delirante conversa com o fantástico Michael Caine”. Tudo verdade.

Já agora, com quem não se importaria de fazer umas horas de viagem? “Por razões diferentes: dos vivos, Oprah Winfrey, Ellen DeGeneres, David Letterman. Dos mortos, George Michael, Joan Rivers, Dean Martin, Don Rickles, Elizabeth Taylor”. Justo.