Lula da Silva renunciou a ser o candidato pelo Partido dos Trabalhadores às eleições presidenciais do Brasil. Depois de visitar o ex-presidente na prisão, Fernando Haddad recebeu o aval de Lula e será o candidato do PT à presidência brasileira. Numa carta enviada à cúpula do partido, Lula da Silva apelidou de “injustiça” a pressão que tem sofrido para não se candidatar, declarou-se “indignado” mas acabou por vincar a importância maior da “continuidade do projeto político” com Haddad, ex-ministro da Educação brasileiro e ex-presidente da Câmara de São Paulo.

O Partido dos Trabalhadores tinha até ao final do dia desta terça-feira para apresentar um substituto para Lula da Silva, depois de o Tribunal Superior Eleitoral ter rejeitado um último recurso. A justiça eleitoral brasileira negou, no domingo, um recurso do PT que pedia mais tempo para substituir Lula como candidato presidencial do partido e confirmou que o prazo para apresentação de um novo candidato terminava esta terça-feira.

De acordo com a Folha de S. Paulo, a carta foi lida à porta fechada pelo próprio Fernando Haddad e os dirigentes do PT vão fazer uma declaração pública à porta da sede da Polícia Federal – onde Lula está preso – ainda esta terça-feira para oficializar a decisão. Esta terça-feira, Haddad já tinha aparecido num vídeo de campanha partilhado nas redes sociais onde a indicação “vice-presidente” não surge em lado nenhum e o ex-ministro refere que “infelizmente insistem” em retirar Lula da corrida eleitoral.

De recordar que o ex-presidente brasileiro foi condenado, em duas instâncias, a 12 anos e um mês de prisão num processo em que é acusado de ter recebido um apartamento de luxo na cidade do Guarujá da construtora OAS, em troca de favorecer contratos da empresa com a estatal petrolífera Petrobras. Mas também Fernando Haddad, que o vai substituir, foi formalmente acusado pelo Ministério Público brasileiro dos crimes de corrupção, branqueamento de capitais e associação criminosa.

Haddad, que era até agora o número 2 de Lula, foi acusado de ter recebido 2,6 milhões de reais (cerca de 521 mil euros) de um empresário chamado Ricardo Pessoa durante a campanha de 2012 para a Câmara de São Paulo. Os pagamentos terão sido feitos através de um saco azul em troca de futuros favorecimentos na adjudicação de obras públicas por parte da administração municipal, contou o jornal Estadão.

Mas esta não foi a primeira acusação do Ministério Público contra Haddad. A 27 de agosto foi movida uma ação em que o ex-ministro é acusado de enriquecimento ilícito e é pedida a perda de direitos políticos – para que não se possa candidatar a cargos políticos.