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As baterias são, de longe, o componente mais caro dos automóveis eléctricos e apesar de os seus custos virem a ser continuadamente reduzidos, à medida que a sua densidade energética também aumenta, a verdade é que a capacidade de fabricar baterias mais baratas vai directamente favorecer as margens de lucro dos fabricantes.

Desde o início, quando vendeu o primeiro Model S em 2012, a Tesla sempre apostou em controlar todos os aspectos dos seus veículos eléctricos, produzindo in house tudo o que era fisicamente possível, com o objectivo de maximizar as margens de lucro, apesar desta estratégia obrigar a investimentos muito superiores. Foi por isso que nasceu a Gigafactory no Nevada, propriedade da Tesla e onde a parceira do construtor nesta aventura das baterias, a Panasonic, teve de suportar 1,6 mil milhões de dólares numa fábrica cujo investimento total rondou os 5 mil milhões de dólares.

O objectivo da Tesla sempre foi reduzir a um mínimo o custo das baterias, determinado pelo valor por kWh de capacidade. Segundo a Bloomberg New Energy Finance (BNEF), a Tesla está a recolher os frutos do forte investimento que realizou na produção em grande série de baterias (mais correctamente de células, primeiro as 18650 utilizadas nos packs dos Model S e X e, mais recentemente, as 21700, ligeiramente mais largas e mais altas que, rapidamente, vão substituir as 18650 na Tesla). Veja este vídeo, que é elucidativo.

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Como se isto não bastasse, a marca tem investido muito, juntamente com a Panasonic, no desenvolvimento de novas e mais eficazes fórmulas químicas para melhorar as células das baterias, reduzindo ainda o conteúdo de cobalto – que agora deve estar abaixo dos 10% do peso total do cátodo –, o material mais utilizado e mais caro, entre os que são usados na fabricação dos pequenos acumuladores.

Por tudo isto, a BNEF calcula que, em Junho, a Tesla já tivesse atingido o custo de 100 dólares por kWh, considerando apenas as células necessárias para produzir a bateria, o que dentro de dois anos permitirá à marca americana colocar-se abaixo dos 100$/kWh já considerando o pack de baterias como um todo (estrutura de suporte, sistema de refrigeração, etc).

Ainda no início do ano os responsáveis pela Nissan admitiram ao Observador que estavam a lidar com um custo de 200$ por kWh e, mais uma vez de acordo com a BNEF, alguns dos rivais que de momento estão a produzir o kWh a 120$, em células, não atingirão os 100$/kWh no pack de baterias antes de 2025, o que concede à Tesla uma vantagem de, no mínimo, cinco anos.