Das mais de 500 mil famílias que viram o seu serviço de telecomunicações afetado pelos incêndios do ano passado, haverá cem clientes ainda sem as comunicações restabelecidas, um ano depois. Os dados foram avançados esta quarta-feira pelo ministro do Planeamento e Infraestruturas no Parlamento.

Pedro Marques está na comissão de economia e obras públicas a responder a perguntas sobre fundos comunitários, ferrovia, obras na Ponte 25 de Abril e o restabelecimento das comunicações, na sequência dos fogos de 2017 no centro do pais.

Na sua intervenção inicial, o ministro cita os dados mais recentes do regulador, a Anacom, de 7 de setembro, para indicar que falta restabelecer o serviço a 100 clientes. Deste universo, 40 recusaram as propostas dos operadores, em 20 o restabelecimento do serviço está agendado e há ainda 40 clientes que um operador em particular, que Pedro Marques não identifica, não conseguiu contactar.

Estes dados contrastam com os números avançados pelo presidente da Anacom em junho deste ano. Segundo disse João Cadete de Matos, também no Parlamento, existiam 970 ligações por restabelecer nas zonas afetadas pelos incêndios que assolaram o país no ano passado, de acordo com dados de 1 de junho. A maioria dos clientes ainda sem serviço era da Meo.

Já na fase de audição, Pedro Marques detalha já durante a audição que existem 103 casos em que ainda não foi reposta a ligação. O ministro justifica o universo de meio milhão de pessoas afetadas com a opção do operador, neste caso a Meo, de fornecer estes clientes com fibra ótica em nome de um serviço de maior qualidade, com mais velocidade da internet, o que é compreensível, mas deixou a rede mais vulnerável aos fogos. Pedro Marques lembra ainda que a Meo contratou com a Infraestruturas de Portugal a utilização da rede de condutas (estradas e ferrovia) para enterrar fibra ótica. Dos mil km contratados, 265 km de cabos deverão ser enterrados até ao final do ano. O Governo espera que mais operadoras usem este recurso.