O presidente russo, Vladimir Putin, aproveitou a sua intervenção no Fórum Económico Oriental, organizado anualmente na cidade de Vladivostok, para  defender os dois cidadãos acusados de tentativa de homicídio por envenenamento do espião russo Sergei Skripal, no Reino Unido. “São civis sobre quem não há nada de especial ou criminoso“, disse.

Putin esclareceu que a Rússia já identificou os dois homens e que espera que um dia eles possam revelar a sua verdadeira história, deixando o apelo para que eles contactem a comunicação social, noticiam esta quarta-feira o The Guardian e o canal de televisão RT.

“Nós sabemos quem são, encontrámo-los.  Espero que eles possam contar tudo. Será melhor para todos. Não há nada de especial no caso, nada de criminoso, garanto. Vamos esperar para ver”, disse Putin.

As autoridades britânicas acreditam que estes dois suspeitos, Alexander Petrov e Ruslan Boshirov, são membros dos Serviços de Inteligência russos e que o ataque a Skripal foi “quase de certeza” ordenado pelo governo de Putin. Ambos foram captados, por um sistema de videovigilância, no local do crime e foram encontrados vestígios do veneno que usaram no hotel onde ficaram hospedados, depois de terem chegado a Inglaterra vindos de Moscovo.

O ex-espião de origem russa Serguei Skripal, 66 anos, e a filha Yulia, 33, foram encontrados inconscientes no dia 4 de março, num banco num centro comercial em Salisbury, a sul de Inglaterra. Depois do caso, cerca de 150 elementos diplomatas russos foram expulsos de uma dúzia de países. A Rússia respondeu com a mesma moeda e também expulsou uma série de elementos das representações diplomáticas de outros países.

Skripal foi coronel no serviço de informações das forças armadas russas e acabou detido em 2004 pelo serviço de segurança federal russo por traição. Foi acusado de ter revelado o nome de espiões russos aos serviços de informações britânicos. Em tribunal, o coronel acabou a admitir ter revelado o nome de espiões russos ao MI6 em troca de 80 mil euros, recebidos numa conta bancária em Espanha. Em 2010, o foi perdoado pelo então presidente russo, Dmitry Medvedev e fez parte de uma troca de presos entre os Estados Unidos e a Rússia. Acabou por ir viver para Inglaterra.