A PSP já identificou um dos seguranças alegadamente envolvidos em agressões a um jovem de 18 anos, à porta da discoteca Tamariz, na semana passada. Ao Observador, fonte oficial do Comando Metropolitano de Lisboa (COMETLIS) diz que “um dos seguranças que estava o local foi identificado como suspeito” pelos agentes chamados ao local, no Estoril, na madrugada de 6 de setembro.

O alerta foi dado por um dos jovens que assistiu às agressões. Estava a filmar o episódio, foi detetado por um dos seguranças que se aproximou, “agarrou-o pelo pescoço e um outro obrigou-o a apagar o vídeo”, relatou o autor da denúncia à PSP. Foi também essa testemunha que, logo no local, apontou para um dos seguranças da empresa e identificou-o como tendo participado nas agressões. Esse elemento da empresa “Proteção Total” — que poderá não ser o segurança filmado a agredir o jovem estendido no chão — foi já identificado pelas autoridades, mas haverá novidades nos próximos dias.

A PSP já deu indicações à empresa que garante a segurança na discoteca Tamariz para preservar as imagens daquela noite. As imagens do sistema de vigilância eletrónica da empresa serão fundamentais para identificar mais suspeitos de participarem no episódio, num momento em que a própria empresa já garantiu ao Jornal de Notícias ter suspendido o autor das principais agressões.

As imagens mostram um jovem, de calças escuras e t-shirt vermelha, deitado no chão enquanto é agredido ao pontapé e ao soco por um segurança da discoteca. Esse jovem, que não precisou de receber tratamento médico, não apresentou queixa às autoridades. “A ser apresentada, essa queixa seria associada ao processo, e não temos qualquer adiantamento” relativamente ao inquérito inicial, diz ao Observador fonte oficial do COMETLIS.

Quando chegou junto às instalações da discoteca Tamariz, a equipa da PSP ainda falou com alguns seguranças da empresa, mas o relato que receberam foi o que de não se tinham apercebido de quaisquer desacatos. De acordo com o responsável da “Proteção Total”, a primeira agressão partiu do adolescente que surge estendido no chão. “Um jovem estava alcoolizado e a ultrapassar todos os limites. Foi-lhe pedido para sair e ele acatou a ordem. Mas, à porta da discoteca, agrediu o vigilante com um murro na cara”, contou António José Foito ao Jornal de Notícias, considerando toda a situação “inaceitável”.

Os seguranças envolvidos naquele episódio são suspeitos do crime de “ofensa à integridade física”.

O vídeo gravado na semana passada começou a circular nas redes sociais. Além dos casos relatados nas últimas semanas sobre agressões por elementos de empresas segurança a clientes de discotecas, o episódio do Tamariz traz à memória um outro caso de agressões, em novembro do ano passado, que levou ao encerramento temporário da discoteca Urban.