Os aumentos consecutivos do salário mínimo, acompanhados de medidas para compensar em parte os custos dos empregadores, dificilmente enfraqueceram a competitividade dos produtos e serviços portugueses. A reflexão é feita pela agência de rating Standard & Poor’s numa avaliação da economia portuguesa em que manteve o rating, mas reviu em alta a perspetiva para positiva.

Com um custo estimado de 14,1 euros por hora para 2017, os custos laborais em Portugal estão 47% abaixo da média da zona euro, segundo os dados da Eurostat que excluem a agricultura e o setor do Estado. A agência de rating considera ainda pouco provável que o Governo vá mexer nas reformas do mercado do trabalho introduzidas no tempo da troika, às quais atribui a dinâmica positiva no setor laboral, não obstante algumas medidas adotas em sentido contrário como o aumento do salário mínimo que em janeiro subiu 4% e o regresso das 35 horas em alguns setores do Estado.

Apesar destas iniciativas, a S&P assinala que o crescimento dos salários reais permanece fraco, o que pode também refletir outros constrangimentos ao nível dos ganhos de produtividade.

A agência não ignora a subida dos preços no mercado imobiliário, que atribui não só ao crescimento de rendimento e ao aumento do crédito hipotecário, mas também ao interesse de investidores estrangeiros, atraídos pelas facilidades exitentes ao nível de vistos de residência e fiscais. Os preços das casas em Portugal estavam 12% mais altos no primeiro trimestre deste ano do que no mesmo período do ano anterior e 15% acima do nível pré-crise registado em 2008.