Assédio Sexual

Vídeo mostra Harvey Weinstein a assediar uma empresária: “Posso flirtar consigo?”

107

Um vídeo agora divulgado pela Sky News mostra Harvey Weinstein a assediar uma empresária durante uma reunião de negócios. Melissa Thompson, a mulher em causa, diz que Weinstein a violou horas depois.

Harvey Weinstein está em prisão domiciliária com pulseira eletrónica desde maio

Getty Images

É mais um capítulo do furacão de desgraça que envolve Harvey Weinstein desde outubro de 2017. A Sky News teve acesso a um vídeo onde o produtor norte-americano se comporta de forma inapropriada com uma mulher durante uma reunião de negócios. Melissa Thompson, a mulher que surge nas imagens, tem 28 anos e acusa Harvey Weinstein de a ter violado horas depois da reunião em questão.

Melissa Thompson dirigiu-se aos escritórios de Nova Iorque da The Weinstein Company em setembro de 2011 para discutir a possibilidade de ser Harvey Weinstein a produzir um vídeo para a startup de tecnologia em que trabalhava. Por motivos profissionais, gravou a conversa.

Em entrevista à Sky News, Thompson recordou que chegou aos escritórios da produtora à espera de reunir com a equipa de marketing. Ao invés disso, o vídeo mostra Harvey Weinstein a chegar sozinho à sala de reuniões, a dizer “não interrompam” a alguém que estava fora da sala, a fechar a porta e a trancá-la em seguida. Melissa Thompson aproxima-se do produtor e estica a mão, como que a tomar a iniciativa para o cumprimentar; Weinstein puxa o braço da empresária e dá-lhe um abraço, percorrendo a mão pelas costas da mulher enquanto murmura “that’s nice”, que bom, em português.

Os dois sentam-se e Harvey Weinstein pergunta: “Estou autorizado a flirtar consigo?”. Melissa Thompson responde “vamos ver, talvez um pouco”. Na entrevista posterior à divulgação do vídeo, a empresária reconhece que correspondeu a algumas das provocações do produtor porque “ele estava a jogar o jogo do gato e do rato”. “Agora consigo ver que ele estava a tentar, de todas as maneiras que podia, colocar-me numa posição confortável, depois desconfortável e confusa, vulnerável, a reconhecer que ele é poderoso e eu não, que preciso deste negócio e que ele tem o poder de mo dar”, explicou Melissa Thompson.

Passados alguns minutos — e já depois de referir que a empresária é “sexy” –, Harvey Weinstein estende a mão por debaixo da mesa, fora do alcance da câmara. Thompson garante que o produtor lhe colocou a mão na perna e começou a subir para dentro do vestido. No vídeo, é possível ouvir Weinstein a dizer: “Deixa-me ter um bocadinho de ti. Dá-me um bocadinho”. A empresária responde: “Demasiado em cima, demasiado em cima, isso é demasiado em cima”.

Ainda assim, Melissa Thompson é filmada a inclinar-se e a provocar contacto físico com Harvey Weinstein em diversos momentos. Na entrevista, reconheceu que “foi uma combinação de confiança e ingenuidade que levou a esta dinâmica”, mas não acha que tenha “encorajado propositadamente” o produtor de cinema.

Eu tentei corresponder um bocadinho. Se ele fazia um comentário, eu tentava apanhar e atirar de volta de uma forma mais segura do que aquela que ele tinha usado. Estava a tentar salvar um pouco a situação. A tentar gerir. Não queria estragar a reunião. Trabalhei em Wall Street antes de ir para a escola de gestão e trabalhei num ambiente dominado por homens… pensei que conseguia lidar com isso, nunca conheci ninguém com quem não conseguisse lidar… até ao Harvey Weinstein”, disse Melissa Thompson.

No final da reunião, Harvey Weinstein convocou a empresária para um segundo encontro. O local marcado era o lóbi do restaurante do Tribeca Grand Hotel. “Foi às dez da noite, não foi um convite para o quarto de hotel dele, foi um convite para ir até o lóbi de um restaurante que ficava a uns quarteirões do escritório e isso pareceu-me muito mais seguro do que estar sozinha com ele numa sala”, recordou. Mas, segundo, Melissa Thompson, não foi isso que aconteceu. Chegada ao hotel, Weinstein pediu-lhe que o seguisse. “Pensei que íamos para uma sala de conferências”,  disse a empresária, mas o destino final era mesmo o quarto de hotel do produtor de cinema. Aí, Thompson garante que foi violada por Harvey Weinstein.

O vídeo e a acusação de violação de Melissa Thompson fazem parte do processo judicial em que Harvey Weinstein é arguido. Em comunicado, o advogado do produtor afirmou que “vários jornalistas e indivíduos respeitados e de confiança viram o vídeo inteiro”. “O que eles partilharam connosco é que o vídeo, quando visto na sua versão integral, com contexto e sem ser em excertos selecionados, demonstra que não há nada forçado mas sim um flirt casual e até atrapalhado”, defende Benjamin Brafman. Para o advogado, a divulgação do vídeo “foi produzida por Melissa Thompson para favorecer a sua posição num processo onde só está à procura de dinheiro”.

    Se tiver uma história que queira partilhar ou informações que considere importantes sobre abusos sexuais na Igreja em Portugal, pode contactar o Observador de várias formas — com a certeza de que garantiremos o seu anonimato, se assim o pretender:

  1. Pode preencher este formulário;
  2. Pode enviar-nos um email para abusos@observador.pt ou, pessoalmente, para Sónia Simões (ssimoes@observador.pt) ou para João Francisco Gomes (jfgomes@observador.pt);
  3. Pode contactar-nos através do WhatsApp para o número 913 513 883;
  4. Ou pode ligar-nos pelo mesmo número: 913 513 883.

Agora que entramos em 2019...

...é bom ter presente o importante que este ano pode ser. E quando vivemos tempos novos e confusos sentimos mais a importância de uma informação que marca a diferença – uma diferença que o Observador tem vindo a fazer há quase cinco anos. Maio de 2014 foi ainda ontem, mas já parece imenso tempo, como todos os dias nos fazem sentir todos os que já são parte da nossa imensa comunidade de leitores. Não fazemos jornalismo para sermos apenas mais um órgão de informação. Não valeria a pena. Fazemos para informar com sentido crítico, relatar mas também explicar, ser útil mas também ser incómodo, ser os primeiros a noticiar mas sobretudo ser os mais exigentes a escrutinar todos os poderes, sem excepção e sem medo. Este jornalismo só é sustentável se contarmos com o apoio dos nossos leitores, pois tem um preço, que é também o preço da liberdade – a sua liberdade de se informar de forma plural e de poder pensar pela sua cabeça.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: mfernandes@observador.pt
Empresas

Accionista e operador de máquinas: bons amigos?

Rui Esperança

A perpetuação do modelo da melhoria dos resultados das empresas à custa dos salários baixos e do consequente enriquecimento dos accionistas tem de mudar. Sem as pessoas, as empresas são pouca coisa.

Abusos na Igreja

Mr. McCarrick, I presume? /premium

P. Gonçalo Portocarrero de Almada

Quando a Igreja castiga os clérigos pedófilos, com o máximo rigor que a lei canónica permite, age de acordo com o exemplo e a doutrina do seu divino Mestre.

Governo

A famiglia não se escolhe? /premium

Alberto Gonçalves

Se ainda não se restringiu o executivo aos parentes consanguíneos ou afins do dr. Costa, eventualidade que defenderia com empenho, a verdade é que se realizaram amplos progressos na área do nepotismo

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)