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Christine Blasey Ford escreveu uma carta à senadora democrata Dianne Feinstein acusando Brett Kavanaugh, nomeado por Trump para o Supremo Tribunal norte-americano, de um crime de abuso sexual. A notícia da acusação veio a público na semana passada, mas a identidade da autora da carta não era conhecida. O mistério terminou este domingo, com a investigadora de 51 anos a revelar a sua identidade ao The Washington Post.

A senadora da Califórnia enviou a carta ao FBI, mas a agência informou que não vai investigar o caso, que ocorreu há mais de 30 anos, quando Christine Blasey Ford e Brett Kavanaugh, agora com 53 anos, eram colegas de liceu, nos subúrbios de Maryland. À publicação norte-americana, a investigadora em Psicologia na Universidade de Palo Alto, alega que Kavanaugh a prendeu a uma cama, foi para cima dela e tentou tirar-lhe a roupa, quando eram adolescentes: ela tinha 15 anos e ele 17, em 1982.

Ford conta ainda que Kavanaugh tentou impedi-la de gritar, tapando-lhe a boca. Conseguiu libertar-se depois de um amigo do juiz ter saltado para cima de ambos. A investigadora acrescenta que pensou que Kavanaugh poderia matá-la e que os dois amigos estavam alcoolizados. Disse ainda que falou pela primeira vez deste assunto quando decidiu fazer terapia conjugal com o marido, em 2012. O artigo do The Washington Post conta ainda com as contribuições do marido de Christine Blasey Ford, a sua advogada e notas cedidas pelo psicoterapeuta da investigadora.

Quando a carta veio a público, Brett Kavanaugh negou as acusações que lhe eram feitas: “Nego categora e inequivocamente esta alegação. Não fiz isto enquanto estava no liceu nem em nenhuma outra altura”, afirmou em comunicado. A Casa Branca também divulgou uma carta assinada por 65 mulheres que atestavam o carácter do juiz no liceu.

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Foi depois destas afirmações que Christine decidiu tornar a sua identidade pública. Agora, os democratas estão a pedir para que a votação da sua nomeação para o Supremo Tribunal seja atrasada — a votação está marcada para quinta-feira — mas os republicanos já avançaram que a data se mantém.

Em julho, Donald Trump anunciou que iria nomear Brett Kavanaugh como substituto do juiz Anthony Kennedy, de 81 anos — que vai reformar-se –, no Supremo Tribunal. “Hoje tenho a honra e o privilégio de anunciar a nomeação para o Supremo Tribunal dos Estados Unidos de Brett Kavanaugh”, um juiz com “credenciais impecáveis”, declarou Trump.

Donald Trump nomeia conservador Brett Kavanaugh juiz do Supremo Tribunal

Mas, apesar da nomeação de Trump, o nome de Kavanaugh tem de ser confirmado pela câmara alta do Congresso, onde os republicanos têm uma pequena maioria — 51 dos 100 senadores. Mas dentro do partido a escolha também não é consensual, com os grupos de pressão pró-aborto a tentar que a nomeação de Kavanaugh avance.

Na quarta-feira, o candidato de Donald Trump foi ouvido na segunda audição para a confirmação do Senado, na qual afirmou a sua “independência” quanto a questões como direito ao aborto, controlo de armas e imunidade do Presidente, mas não convenceu os senadores democratas. Foi regularmente interrompido por gritos de manifestantes.

Brett Kavanaugh evasivo sobre aborto, armas e imunidade presidencial nos EUA