Estados Unidos da América

Ministro da Defesa dos EUA visita Macedónia para contrariar “influência russa” no referendo

Jim Mattis deslocou-se a Skopje para apoiar o "sim" no referendo sobre a alteração do nome da Macedónia e contrariar o que designou de "campanha de influência russa" contra este voto.

GEORGI LICOVSKI/EPA

O ministro da Defesa norte-americano, Jim Mattis, deslocou-se esta segunda-feira a Skopje para apoiar o “sim” no referendo sobre a alteração do nome da Macedónia e contrariar o que designou de “campanha de influência russa” contra este voto.

Os macedónios devem pronunciar-se em 30 de setembro sobre se aceitam a alteração do nome do país para “República da Macedónia do Norte” na sequência do “Acordo de Prespes” assinado entre Skopje e Atenas e que abre o caminho para a integração do país na NATO e a abertura de negociações de adesão à União Europeia.

Desde a independência desta ex-república jugoslava em 1991 que a Grécia se opõe a que mantenha a designação da sua província do norte, com o mesmo nome. Atenas considera que a utilização desse nome por Skopje constitui uma usurpação da sua herança histórica, em particular do antigo rei Alexandre, o Grande, além de sugerir que o seu pequeno vizinho tem ambições expansionistas.

Devido ao veto de Atenas, este conflito tem bloqueado o processo de adesão à NATO e UE desde pequeno país dos Balcãs, proveniente da desagregação da Jugoslávia em 1991, e com 2,1 milhões de habitantes.

A alteração do nome “é muito importante (…) para quem a vida pode ser mudada por oportunidades económicas e de segurança entre (…) 30 nações democráticas”, declarou Mattis já a bordo do avião. No decurso desta vista, reuniu-se com o artífice do acordo com a Grécia, o primeiro-ministro Zoran Zaev, e com o seu homólogo Radmila Sekerinska.

Em conferência de imprensa, Mattis anunciou “um reforço da cooperação” com Skopje “em termos de cibersegurança, para contrariar a atividade numérica maliciosa que ameaça duas democracias [macedónia e norte-americana]”. Washington acusa a Rússia, que se opõe firmemente à expansão da NATO na Europa de leste e nos Balcãs, de conduzir uma campanha de desinformação na Macedónia através das redes sociais para afastar os eleitores macedónios da votação de 30 de setembro.

À margem de uma conferência sobre a liberdade de expressão em Skopje, Zoran Zaev relativizou: “Não temos provas sobre uma influência russa. A federação da Rússia é uma amiga da Macedónia. Não têm nada contra a nossa adesão à UE mas são hostis à nossa integração na NATO”.

Antes da sua chegada à Macedónia, Mattis — o primeiro chefe do pentágono a deslocar-se a Skopje desde Donald Rumsfeld em 2004 — denunciou o que designou por “campanha de influência russa” nesta ex-república jugoslava. “Não pretendemos que a Rússia faça aí o que já fez em tantos outros países”, disse, acrescentando não ter “qualquer dúvida” sobre o financiamento pela Rússia de grupos políticos opostos ao referendo.

O Montenegro, outro pequeno país dos Balcãs também com maioria de população eslava, integrou a NATO em 2017 apesar da forte oposição de Moscovo e de uma parte considerável da população.

De acordo com Laura Cooper, responsável pela Rússia e Europa central no Pentágono, Moscovo paga aos eleitores para que se abstenham e apoia financeiramente as organizações pró-russas. “Atacam nesse momento com a desinformação e outras formas de influência perniciosa para tentar que os macedónios mudem de opinião”, declarou a diversos jornalistas, citada pela agência noticiosa France-Presse (AFP). A responsável norte-americana acrescentou, sem concretizar, que o Governo russo “tenta oficialmente persuadir outro país, mas isso torna-se rapidamente em manipulação e ameaças”.

Em junho, numa entrevista aos média gregos, o embaixador russo junto da UE, Vladimir Tchijov, tinha considerado que o desejo macedónio de integrar a NATO era “um erro”. “E certos erros têm consequências”, preveniu. Em entrevista ao ‘site’ Nova Makedonija e divulgada no final de agosto, o representante diplomático russo em Skopje, Oleg Shcherbak, acusou o ocidente de exercer “uma muito forte pressão mediática e psicológica” sobre os eleitores.

Os média macedónios, em particular as principais cadeias televisivas, fazem claramente campanha pelo ‘sim’, que parece favorito nas sondagens. A oposição da direita nacionalista (VMRO-DPMNE) apelou aos eleitores a “agirem” segundo a sua opinião pessoal, e não se associou a uma campanha de boicote promovida pelas redes sociais.

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Investimento público

A tragédia de Pedro Marques

Inês Domingos

Com um quadro Centeno confessou inadvertidamente como foi um dos principais responsáveis pelo desastre de atuação de Pedro Marques, sendo que este também não foi capaz de aplicar os fundos de Bruxelas

FC Porto

João Félix (e youth league) /premium

João Marques de Almeida
145

Uma mensagem para todos os portistas. Vamos dar os parabéns ao Benfica, esquecer os árbitros, ganhar ao Sporting na final da Taça e apostar nos nossos jovens jogadores nas próximas épocas. 

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)