Hans-Georg Maassen foi forçado a abandonar a posição de chefe dos serviços secretos alemães (BfV), passando a ocupar o cargo de secretário de estado do ministério do interior. A decisão do governo avançada na segunda-feira surge na sequência da polémica em que o alto funcionário se viu envolvido após comentar o caso dos confrontos de Chemnitz.

Na madrugada de 26 de agosto, um homem alemão foi esfaqueado, alegadamente por dois requerentes do estatuto de refugiado, na cidade de Chemnitz, no Leste da Alemanha. O homem acabou por morrer no hospital devido aos ferimentos sofridos.

Um dia após a detenção dos suspeitos, várias centenas de manifestantes da extrema-direita — estimados em cinco mil segundo o Irish Times — concentraram-se no local do ataque para uma “marcha de luto”. A manifestação subiu de tom, havendo relatos da utilização da saudação nazi, ameaças à polícia e jornalistas, conta o jornal britânico The Guardian. As manifestações violentas culminaram na perseguição de vários cidadãos estrangeiros, tendo alguns ficado feridos. Uma destas perseguições foi captada num vídeo que se tornou viral nas redes sociais.

As imagens desencadearam o medo do ressurgimento da extrema-direita na Alemanha, país que tem assistido a protestos violentos em várias cidades e reacendeu a discussão sobre a política dos refugiados e de imigração alemã. O incidente foi amplamente condenado na esfera política. Tanto a chanceler, Angela Merkel, como o ministro do Interior classificaram o ataque como “hetzjagd” (perseguição/caça) contra os estrangeiros.

Em declarações ao jornal Bild, o homem forte dos serviços secretos, Hans-Georg Maassen, contrariou diretamente a posição da chanceler e questionou a veracidade das filmagens. O agora ex-chefe da secreta acrescentou que a BfV “não tem informação fiável sobre perseguições”, cita a BBC. Maassen ainda tentou posteriormente corrigir o teor os comentários, afirmando que foi mal interpretado e dizendo-se surpreendido com a rapidez com que os media e os políticos assumiram a autenticidade do vídeo, relata o The Guardian.

Os comentários de Maassen geraram fortes críticas e pedidos para que o chefe dos serviços de inteligência se demitisse, levantando questões sobre se os serviços de segurança alemães serão demasiado simpatizantes da extrema-direita para conseguirem monitorizar os grupos neo-nazis no país — de acordo com o  The New York Times. Em contrapartida, nos fóruns da extrema direita, Maassen foi aclamado como um herói que diz a “verdade”.

Maassen foi ainda chamado ao parlamento para justificar os comentários a 12 de setembro. O acordo alcançado esta segunda-feira pelo governo alemão resultou de um compromisso entre a chanceler Angela Merkel com os parceiros de coligação: o ministro do interior Horst Seehofer (do partido de extrema-direita CSU) e a líder dos sociais democratas Andrea Nahles (do SPD).