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Marte

Astronautas numa missão a Marte estariam expostos a 60% da radiação recomendada para a vida inteira

Uma viagem de um ano entre a Terra e Marte exporia os astronautas a 60% de radiação cósmica recomendada para uma carreira inteira. Além disso, a missão a Marte podia ser comprometida pelas poeiras.

Getty Images/iStockphoto

Um astronauta que viajasse para o planeta Marte e depois voltasse para a Terra seria exposto a 60% da radiação recomendada para a carreira inteira, avisou esta quarta-feira a Agência Espacial Europeia e a Roscosmos. Estas são as conclusões recolhidas através do ExoMars Trace Gas Orbiter, um módulo de investigação da atmosfera enviado para o Planeta Vermelho em 2016. A radiação a que uma pessoa estaria exposta numa viagem de um ano — seis meses para ir até Marte e outros seis meses para regressar — “tem o potencial de causar sérios danos aos seres humanos, incluindo doença por radiação, aumento do risco de cancro mais tarde na vida, efeitos do sistema nervoso central e doenças degenerativas”.

Enquanto estamos com os pés assentes na Terra, os raios cósmicos — partículas muito enérgicas que atravessam o universo quase à velocidade da luz — não são prejudiciais à saúde porque o campo magnético do planeta e a nossa atmosfera protegem-nos deles. A 10 mil metros acima do nível médio da água do mar, essas partículas embatem nos núcleos dos átomos que compõem a atmosfera e perdem tanta energia que quando chegam cá abaixo já são inofensivos.

Mas de acordo com o comunicado enviado pela Agência Espacial Europeia, “as doses de radiação acumulada pelos astronautas no espaço interplanetário seriam centenas de vezes maiores que os acumulados pelos humanos no mesmo período de tempo na Terra, e várias vezes maiores que a dose a que os astronautas e cosmonautas na Estação Espacial Internacional estão expostos. Os nossos resultados mostram que a viagem em si proporcionaria uma exposição muito significativa para os astronautas à radiação”, avisa a agência europeia em parceria com a russa.

Estes dados estão a ser recolhidos há dois anos, desde que a missão ExoMars foi lançada para o espaço com o objetivo de fazer um inventário de gases atmosféricos marcianos. Uma das ferramentas responsáveis por isso é o dosímetro Liulin-MO, que forneceu informações sobre as doses de radiação registadas durante a viagem entre a Terra e Marte. As medições foram feitas num período de atividade solar mais fraca, que corresponde a uma dose de radiação maior: “O aumento da atividade do Sol pode desviar os raios cósmicos galácticos, embora erupções solares muito grandes também possam ser perigosas para os astronautas”, explica.

A radiação não é o único perigo para a missão a Marte. A Agência Espacial Europeia diz que a tempestade de poeira que deu a volta ao planeta este ano — e que colocou o Opportunity da NASA em hibernação — danificou o funcionamento do ExoMars Trace Gas Orbiter: “Normalmente, não gostamos de divulgar imagens como esta, mas ela mostra como a tempestade de poeira impede imagens úteis da superfície”. Apesar disso, “As observações obscurecidas por poeira são realmente muito boas para calibração. A câmara tem uma pequena quantidade de luz difusa e estamos a usar as imagens de tempestade de poeira para encontrar a fonte da luz dispersa e começar a derivar algoritmos para removê-lo”.

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