O Centro Hospitalar de São João, no Porto, está a “auscultar os serviços jurídicos” sobre a possibilidade de poder aproveitar o projeto existente para a construção do novo Centro Pediátrico, anunciou esta quinta-feira o presidente da administração daquele hospital.

“Estamos a auscultar os serviços jurídicos sobre a possibilidade de trabalharmos sobre o projeto existente”, adiantou António Oliveira e Silva aos jornalistas, em conferência de imprensa, congratulando-se com a publicação, em Diário da República, do despacho governamental que autoriza o hospital a lançar um concurso para a conceção e construção das novas instalações do Centro Pediátrico.

Apesar de considerar o projeto, que tem dez anos, “obsoleto”, o presidente da administração disse que lhe “facilitava a vida” poder trabalhar “em cima do projeto” que já existe, porque há estruturas e infraestruturas que vão ser comuns.

António Oliveira e Silva, para quem este despacho é uma “luz verde” para avançar com a empreitada, sublinhou que “tudo que seja queimar etapas” do processo “é bom”. A autorização do Governo foi concedida através de despacho assinado pelos ministros das Finanças, Mário Centeno, e da Saúde, Adalberto Fernandes, publicado no Diário da República.

Governo autoriza concurso para obras do centro pediátrico do Hospital de São João no Porto

É justificada com a consideração de que o Centro Pediátrico “ainda apresenta algumas limitações arquitetónicas”, apesar da remodelação já realizada em 2018 e que significou a assunção de compromissos superiores a dez milhões de euros.

Estas limitações, admite-se no texto do despacho, “levam à dispersão dos serviços e à utilização de estruturas provisórias, reduzindo as condições assistenciais e acarretando elevados custos de manutenção”. Este é o desenvolvimento mais recente deste dossiê, que já teve uma intervenção do Presidente da República e a mobilização de personalidades do Porto.

No dia 7, Marcelo Rebelo de Sousa declarou estar à espera que o Governo esclarecesse a sua posição sobre este centro pediátrico. “Espero que haja essa definição de posição [do Governo] porque não havendo essa definição de posição haverá sempre uns que interpretarão como não sendo agora, mas está para vir e, outros, que interpretarão como não sendo agora, nem nunca”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa à margem de um debate sobre Demografia, no Porto.

Na véspera, dia 6, um movimento cívico informal, intitulado “Pelo Joãozinho”, lançou um abaixo-assinado, dizendo ser “tempo de agir”, romper o impasse e avançar de imediato com a construção da nova ala pediátrica do São João.