Um homem de 21 anos abandonou uma criança de 7 anos depois de a violar, na passada segunda-feira, em Nova Deli. Este é o caso mais recente de violação, que chocou os médicos, quando a menina foi levada ao hospital a sangrar incessantemente.

Depois do ataque, o homem entregou 10 rupias e um chocolate em troca do silêncio da criança, em Nova Deli. De seguida, abandonou-a à porta de casa, a sangrar, com uma toalha à volta da cintura.

A mãe da criança, de 26 anos — cujo nome não se pode revelar uma vez que as vítimas e os seus familiares não podem ser identificados segundo a lei indiana — ao voltar para casa, encontrou-a e pediu-lhe para identificar o homem. “Ela estava encolhida com as mãos no estômago e a sangrar. Nunca na minha vida pensei que isto pudesse acontecer a mim ou à minha filha; mas o que podemos fazer?”, contou à CNN. Esta é uma situação pela qual passam a maior parte das raparigas na Índia e que não parece ter o seu fim à vista.

A mãe contou à CNN que a menina estava a brincar num templo com os seus amigos, quando um homem que apanhava o lixo da rua a levou para um parque. Nesse momento, o atacante saltou para cima dela e enrolou um tubo à volta do seu pescoço para a impedir de gritar, enquanto a violava. O homem, de 21 anos, foi identificado mais tarde, e apresenta já um vasto historial de violações.

“Quando a vi, fiquei sem forças no corpo e pensei que ela ia morrer imediatamente”, conta a mãe. A menina foi internada num hospital, em Nova Deli, ficando em estado crítico após ter sido submetida a cirurgias pelos danos que sofreu no corpo.

“A prisão é uma punição ínfima; não é nada, comparando com o que ele fez”, afirma a mãe da criança.

Este foi um caso que chocou os médicos que trataram dela: Swati Maliwal, presidente da Comissão das Mulheres de Deli, disse que a menina estava em extremo sofrimento depois do ataque, a chorar compulsivamente e em estado traumático. Já esta quinta-feira, a menina encontrava-se a recuperar de forma muito positiva.

Numa série de tweets, Maliwal deu mais detalhes do ataque, nomeadamente de que a menina, que vem de uma família pobre, que foi conduzida para o parque de Seemapuri onde foi violada e que estava a “sangrar incessantemente” depois do ataque.

“Não consigo descrever a dor que a menina estaria a sentir. Já sendo subnutrida, tem um longo caminho pela frente”, subinhou Maliwal. A presidente da Comissão está agora, com o seu grupo, a trabalhar num plano de reabilitação para as vítimas jovens.

Este é o mais recente caso de violação sexual de crianças e mulheres na Índia numa série de outros tantos, onde, de acordo com os dados do Gabinete Nacional de Registos Criminais, mais de cem violações, em média, acontecem todos os dias, as quais sobem todos os ânimos carregados de indignação por não haver medida legislativa que ponha fim aos abusos tão frequentes.

O último abuso sexual fortemente mediatizado que trouxe à superfície este fenómeno na Índia ocorreu em dezembro de 2012: seis rapazes violaram uma mulher de 23 anos num autocarro, mobilizando o homem que a acompanhava para que ele não conseguisse protegê-la. Além do abuso sexual, agrediram-na com uma barra de ferro. A vítima acabou por morrer por falha dos órgãos, após ter sido transportada para Singapura para tratamentos posteriores.

É uma vergonha para a sociedade. Não é uma questão de quantas violações acontecem em média; (…) mesmo um incidente do caso brutal que é a violação já é uma vergonha para todos nós”, disse o Ministro dos Assuntos Internos da Índia.

Segundo os dados do Gabinete Nacional de Registos Criminais, registaram-se 39.000 violações na Índia, em 2006 – uma taxa de, aproximadamente, uma violação a cada 13 minutos. O total de abusos indicaram uma subida de 12% nos registos, relativamente ao ano anterior.

No mês passado, a Índia promulgou a lei da pena de morte em casos de violação de crianças com menos de 12 anos. Ainda que os grupos feministas de direitos humanos digam que esta não é a solução, a mãe da menina de sete anos, violada na passada segunda-feira, diz que esta é a única forma de se fazer justiça com o que aconteceu à sua filha.