A Farfetch já garantiu a tomada de 885 milhões de dólares (equivalente a 750 milhões de euros) por parte dos investidores que vão participar na estreia em bolsa que acontece esta sexta-feira. O encaixe na venda inicial de ações foi maior do que o esperado porque a empresa fundada pelo português José Neves acabou por vender os títulos a 20 dólares cada um, o que fica acima do intervalo previsto (17 a 19 dólares), que já tinha sido revisto em alta face aos inicialmente apontados 15-17 dólares.

A decisão de fixar o preço por ação a 20 dólares é um sinal da forte procura por parte dos investidores, o que augura que possa existir procura não-satisfeita que tente, dentro de algumas horas, comprar os títulos no mercado assim que eles começarem a ser negociados. Por outras palavras, os bancos encarregues de gerir a operação (Goldman Sachs, JPMorgan, Allen & Co e UBS) estão confiantes de que os 20 dólares por ação são o melhor ponto de equilíbrio entre o encaixe financeiro mais ambicioso e o grau de procura que existe no mercado, sem colocar em risco em demasia uma primeira sessão bolsista positiva.

Com um preço de 20 dólares por ação, também a avaliação total da empresa se torna maior — 5,8 mil milhões de dólares, ou 4,9 mil milhões de euros. A empresa vai vender 33,6 milhões de ações e os acionistas que já existem (por terem participado em rondas de investimento enquanto a empresa era privada) vão colocar no mercado 10,6 milhões de ações.

A estreia em bolsa acontece esta sexta-feira, não havendo ainda informação sobre se arranca logo no início da sessão ou se algumas horas mais tarde. A empresa vai aparecer sob o símbolo FTCH — este será o ticker das ações comuns da empresa, as chamadas classe A. Irá haver, também, um segmento paralelo de ações — as ações de classe B — que vão ficar na posse de José Neves, o fundador, e que valem 20 direitos de voto cada uma.

A Farfetch existe graças ao amor pela moda. Acreditamos na promoção da individualidade. A nossa missão é ser a plataforma tecnológica global na moda de luxo, ligando criadores, curadores e consumidores”, pode ler-se no documento entregue junto do regulador do mercado norte-americano, a SEC.

Apesar de ser fundada por um português e ter sede em Londres, a Farfetch optou pela bolsa de Nova Iorque porque é nesse mercado que se concentra o maior número de investidores em empresas tecnológicas. A Farfetch permite a centenas de marcas de topo, incluindo lojas independentes, vender a partir das suas plataformas digitais e ajuda a gerir as funções de backoffice de forma mais eficiente.

A faturação da Farfetch aumentou de 173 milhões para 268 milhões de dólares no primeiro semestre, embora o resultado líquido tenha sido mais negativo: o prejuízo antes de impostos mais que duplicou para 68 milhões de dólares). No portal da Farfetch estão presentes cerca de 3.200 marcas, incluindo insígnias como a Chanel e a Gucci. Cerca de 935 mil pessoas utilizam a plataforma, segundo dados da empresa relativos ao final do ano passado, um aumento de 40% em relação ao final de 2016.