O vice-presidente da Sociedade Financeira Internacional, o braço do Grupo Banco Mundial para o apoio aos investimentos privados, salientou esta sexta-feira que a instituição tem “apetite pelo risco” e defendeu as vantagens das parcerias para as empresas portuguesas.

“Temos apetite pelo risco, podemos partilhar o risco e ajudar a entrar em mercados onde as empresas não entrariam por si próprias”, disse o vice-presidente da Internacional Finance Corporation (IFC) Sérgio Pimenta durante uma conferência em Lisboa, no auditório da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP).

Numa sala repleta de empresários e investidores portugueses, Sérgio Pimenta considerou que “o papel do setor privado é cada vez mais importante no desenvolvimento” e acrescentou que devido ao crescente endividamento dos países, nomeadamente em África, e consequente falta de capacidade para investir, “o setor privado tem de estar no centro da imagem, porque os governos não têm capacidade para fazer investimentos”.

O responsável salientou que o Grupo Banco Mundial recebeu em abril um aumento de capital e instruções dos acionistas para direcionar os investimentos para países emergentes e de risco, o que, disse, é vantajoso para as empresas portuguesas que queiram investir na África lusófona.

“O nosso portefólio de investimento tende a concentrar-se nos países anglófonos, em África o portefólio é menos de 10%, passou para 30% o ano passado e pela primeira vez é a maior região em termos de investimento do IFC, portanto isto é vantajoso para as empresas portuguesas ou que falem português, porque um dos grandes desafios que as empresas estrangeiras sentem é a barreira da língua”, vincou o banqueiro.

O IFC é a instituição que financia investimentos privados através de garantias, empréstimos e aplicações financeiras, sendo um dos três braços do Grupo Banco Mundial para potenciar o crescimento económico dos países mais necessitados, sendo que os outros dois são o próprio Banco Mundial, que empresta dinheiro a governos e oferece apoio a nível orçamental, setorial e de políticas públicas, e, por último, a Agência Multilateral para as Garantias de Investimento – MIGA, especializada em instrumentos para baixar os riscos de investimentos.