A Rússia teve um plano para retirar Julian Assange da embaixada do Equador em Londres, onde está asilado desde junho de 2012. De acordo com o jornal britânico The Guardian, o plano envolvia retirar Assange do interior da embaixada num veículo diplomático na véspera de Natal do ano passado, mas foi abandonado por ser considerado muito arriscado.

Segundo a notícia do diário britânico, diplomatas russos reuniram-se no ano passado com pessoas próximas do fundador do WikiLeaks para avaliar a possibilidade de pôr em andamento um plano para o retirar da embaixada do Equador. Dali, Assange seria retirado para a Rússia, onde não enfrentaria a extradição para os Estados Unidos.

O plano envolveria ainda os esforços da embaixada do Equador para obterem um passaporte diplomático para Julian Assange, o que lhe permitiria viajar para a Rússia depois de ser transportado, disfarçado, num carro diplomático. Porém, a tentativa de obter estatuto diplomático para Assange não teve sucesso.

A ponte entre Assange e Moscovo terá sido o antigo cônsul do Equador em Londres, Fidel Narváez. Porém, o diplomata negou, em declarações ao The Guardian, ter estado envolvido no plano. Apesar de ter confirmado que visitou a embaixada da Rússia no Reino Unido, afirmou que apenas o fez em encontros públicos para discutir a crise diplomática entre os dois países devido ao envenamento do espião russo Sergei Skripal.

O plano era simples, mas muito arriscado: garantido o estatuto diplomático de Assange, um veículo diplomático iria recolhê-lo na embaixada — cujas entradas estão todas guardadas por elementos das forças de segurança britânicas — e levá-lo para a Rússia ou então para o Equador. O Kremlin estava ao corrente do plano e estava disponível para prestar apoio. O plano foi abandonado a poucos dias de ser levado a cabo por ser considerado muito arriscado.

A revelação vem aumentar as suspeitas sobre as ligações entre Assange e Moscovo. De acordo com o procurador especial Robert Mueller, que está à frente da investigação sobre a alegada interferência da Rússia na eleição presidencial norte-americana de 2016, o WikiLeaks publicou mais de 50 mil documentos que foram roubados por espiões russos. Porém, Julian Assange sempre negou ter recebido da Rússia os e-mails que divulgou.

Recorde-se que o novo presidente do Equador, Lenín Moreno, já anunciou publicamente que quer Assange fora da embaixada em Londres e em março deste ano cortou-lhe o acesso à Internet.