Táxis

Taxistas fazem caminhada dos Restauradores à Praça do Comércio em Lisboa

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Motoristas de táxi, que continuam concentrados no centro de Lisboa, realizaram esta segunda-feira uma caminhada até à Praça do Comércio. Acabaram por ser recebidos por assessor de António Costa.

RODRIGO ANTUNES/LUSA

Os taxistas não vão parar com os protestos. Desde quarta-feira que estão concentrados na Praça dos Restauradores, em Lisboa, mas as manifestações não vão ficar por aqui. Nesta segunda-feira, às 14h00, realizaram uma caminhada até à Praça do Comércio, onde pretendem fazer uma vigília em frente à residência oficial do primeiro-ministro.

“Saímos a pé aqui dos Restauradores até à Praça do Comércio, onde vamos realizar uma vigília em frente à residência oficial do primeiro-ministro”, disse este domingo à agência Lusa Florêncio Almeida, da Associação Nacional dos Transportadores Rodoviários em Veículos Ligeiros (ANTRAL).

Os motoristas de táxis querem ser recebidos por António Costa e pedem a sua intervenção direta neste processo. A residência oficial do primeiro-ministro está provisoriamente instalada no Ministério do Mar, no Praça do Comércio, desde abril, devido a obras no palacete de S. Bento. Chegados à Praça do Comércio, os dois líderes das associações de taxistas, Carlos Ramos (da Federação Portuguesa do Táxi) e Florêncio Almeida (ANTRAL) foram recebidos por Diogo Serra Lopes, assessor do primeiro-ministro para os assuntos económicos.

As viaturas continuam estacionadas na Avenida da Liberdade durante os protestos, esclareceu Florêncio Almeida. “Os carros não vão sair daqui, enquanto não tivermos provas de que vão resolver este problema. Isto é ponto final, até porque não nos vamos vencer pelo cansaço”, declarou.

Protesto mantém-se no Porto

Também no Porto cerca de 300 taxistas cumprem hoje o sexto dia de protesto contra a lei das plataformas de transporte, aguardando “com expectativa” pela vigília à porta da residência do primeiro-ministro, disseram à Lusa os representantes do setor. José Monteiro, vice-presidente da Associação Nacional dos Transportadores Rodoviários em Automóveis Ligeiros de Passageiros (ANTRAL), explicou que os profissionais que se encontram esta manhã na avenida dos Aliados “mais de 300” estão “na expectativa” de obter resposta ao protesto iniciado na quarta-feira na sequência da vigília prevista para as 15h00 junto à residência oficial do primeiro-ministro, em Lisboa.

O responsável da ANTRAL adiantou que “começa a desenhar-se a ideia de os taxistas do Porto se juntarem, futuramente, aos colegas de Lisboa”, mas Carlos Lima, da Federação de Táxis do Porto, vincou que “os carros fazem falta no Porto, pelo menos para já”. José Monteiro, da ANTRAL, esclareceu que “a ideia” de deslocar taxistas do Porto para o protesto na capital está “só a amadurecer” e coloca-se “se as coisas começarem a falhar”.

Já são seis dias de luta e há custos em tudo isto. Apenas o Presidente da República teve a amabilidade e sensatez de tentar desbloquear o problema”, notou.

Segundo Carlos Lima, da Federação de Táxis, pelas 10:00 estavam na avenida dos Aliados “cerca de 250 carros”, havendo “vários a chegar”, pelo que a perspetiva do vice-presidente da Federação de Táxis do Porto apontava para o dia de hoje como “o de maior adesão. Estamos pendentes de notícias de Lisboa, devido à vigília, pelo que é esperado um grande movimento”, observou. O responsável acrescentou que vários taxistas pernoitaram na avenida dos Aliados, no centro do Porto, e que alguns se deslocaram entretanto a casa para “se refrescarem” ou “descansar” um pouco. As associações de taxistas foram recebidas no sábado pelo chefe da Casa Civil da Presidência da República e decidiram manter o protesto, até serem recebidos pelo primeiro-ministro.

Marcha prevista para quarta-feira

No decorrer do protesto, que se iniciou na quarta-feira, as associações que representam os motoristas de táxi, a ANTRAL e a Federação Portuguesa do Táxi (FPT), receberam o apoio das câmaras municipais de Albufeira, Loulé, Setúbal, Sobral de Monte Agraço e Loures, disse Florêncio Almeida, que acrescentou: “de Lisboa, infelizmente, não, mas não é de admirar que desta vereação só temos sido maltratados”

Na quarta-feira, segundo o responsável, os motoristas projetam realizar uma marcha até à Assembleia da República para se manifestarem, coincidindo com a presença do ministro do Ambiente, que tutela o setor, no plenário. Florêncio de Almeida referiu hoje que, para iniciarem o diálogo com o Governo, além da exigência de a lei passar a contemplar a fixação, pelos municípios, do contingente de carros para aluguer de passageiros, querem a revisão do regime tarifário.

Já no sábado, Carlos Ramos, da FPT, tinha afirmado à Lusa a questão do regime tarifário, que qualificou como “caduco”. “É preciso ainda regulamentar ao cesso às praças de táxi de aeroportos e portos, criar um regulamento disciplinar e um código de conduta, e criar um sistema de tarifário específico”, acrescentou Carlos Ramos.

Os táxis estão parados ao longo da Avenida da Liberdade, desde a Praça dos Restauradores pelo sexto dia consecutivo, em protesto contra a entrada em vigor, a 1 de novembro, do diploma que regula as plataformas digitais de transportes. Relativamente às viaturas plataformas digitais de transporte — Uber, Taxify, Cabify e Chauffeur Privé –, Carlos Ramos afirmou que se devem pensar num sistema de equilíbrio, “por exemplo em Espanha há uma viatura descaracterizada para 30 táxis”. “Nós não somos a Espanha, mas este é um exemplo”, argumentou.

Na passada sexta-feira, o processo teve um desenvolvimento, com o PCP a pedir a revogação da lei, uma decisão que os taxistas consideram estar no “caminho correto”, mas que ainda não é suficiente. No sábado as duas estruturas foram recebidas pelo chefe da Casa Civil da Presidência da República.

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