Vão ser acolhidos no concelho do Fundão 19 migrantes que foram resgatados no Mar Mediterrâneo em julho pelo navio humanitário Aquarius, anunciou esta terça-feira o Governo em comunicado.

Trata-se de 17 homens e 2 mulheres, provenientes de Eritreia (14), Nigéria (3), Iémen (1) e Sudão (1), esclarece o comunicado enviado esta tarde às redações.

“Estes migrantes são recebidos numa ação humanitária concertada de Portugal, França e Espanha”, explica o Governo.

“A chegada de mais este grupo de migrantes resulta do compromisso de solidariedade e de cooperação europeia assumido por Portugal em matéria de migrações. Perante a situação de emergência dos migrantes resgatados pelo Aquarius, o Governo português manifestou de imediato a disponibilidade para participar solidariamente no processo de acolhimento”, destacou o Governo português.

“Portugal cumpre assim o seu dever de solidariedade humanitária e de contribuir para as soluções europeias para a questão da migração e das tragédias humanas que têm ocorrido no Mediterrâneo”, acrescenta o comunicado.

De acordo com a informação fornecida pelo Governo português, “o grupo beneficiará de um plano de integração e de empregabilidade seguindo um modelo já desenvolvido no trabalho com imigrantes” e “terá, logo à chegada, um tradutor que acompanhará todo o processo por forma a facilitar a comunicação e a integração”.

“O plano de integração implica ainda aulas de português, em articulação com a delegação do IEFP local, a realização de ações formativas sobre direitos e deveres, bem como a disponibilização de informações sobre o país, nomeadamente as relacionadas com a localização geográfica, a rede de transportes local, a localização de escolas, hospitais e outras infraestruturas, o trabalho, o respeito pela religião de cada pessoa. Por outro lado, serão apresentados igualmente todos os serviços de apoio à integração de migrantes disponíveis em Portugal”, lê-se no comunicado.

“Para potenciar o sucesso da iniciativa, o plano aposta na estrita colaboração com o município local, que preparou um conjunto de workshops tendo em vista a rápida integração no mercado de trabalho destes migrantes”, acrescenta a nota.

O anúncio surge no mesmo dia em que o Governo anunciou que Portugal vai acolher 10 dos 58 migrantes resgatados pelo navio Aquarius II.

Recorde-se que o navio de resgate humanitário francês Aquarius, que em julho levou a cabo uma operação de resgate no Mediterrâneo com a bandeira de Gibraltar, regressou em setembro ao mar  com a bandeira do Panamá e renomeado Aquarius II para uma nova operação.

O navio é operado pelas organizações não-governamentais SOS Mediterranée e Médicos Sem Fronteiras (MSF). Entretanto, também o Panamá retirou a bandeira ao navio, impedindo-o de navegar, o que levou o Bloco de Esquerda a apelar ao Governo português que atribua a bandeira portuguesa ao navio, registando-o em Portugal.

“Está o Governo de Portugal disponível para permitir que o Aquarius continue a sua missão de resgate e salvamento, através da concessão do registo da embarcação no nosso país?”, questionou o Bloco de Esquerda numa pergunta enviada ao Ministério dos Negócios Estrangeiros esta segunda-feira.