Cuidado: está quente

Mami Organic Food. Quem disse que hambúrgueres não podiam ser saudáveis?

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Lisboa acaba de ganhar um dos restaurantes mais empenhados nas áreas da sustentabilidade, sazonalidade, consumo biológico e ecologia. Saiba o que esperar deste nova hamburgueria.

Diogo Lopes/Observador

O que interessa saber

Nome: Mami Organic Food
Abriu em: Setembro de 2018
Onde fica: Picoas Plaza, Rua Tomás Ribeiro, 65, Lisboa
O que é: Um dos novos restaurantes portugueses que leva mais a sério (e intensivamente) noções de sustentabilidade, saúde, sazonalidade e ecologia aplicada à comida.
Quem manda: Os três sócios que detém este negócio preferiram que não fosse revelado o seu nome
Quanto custa: Entre 15 e 20€ por pessoa.
Uma dica: Neste Mami não se servem refrigerantes, mas não há problema nenhum: vai ficar mais que satisfeito com as várias limonada que fazem todos os dias
Contacto:968 703 906
Horário: Restaurante — das 7h às 00h (cozinha encerra às 23h; não fecha)/ Esplanada e cafetaria — das 7h às 22h/ Bar — das 12h às 00h
Links importantes: Facebook

A História

Mudar de vida não é fácil e há quem tenha dificuldade em fazer coisas aparentemente tão simples como deixar de beber café, fumar ou perder peso. Mas há sempre quem consiga, com muito esforço, força de vontade e conselhos de quem mais percebe do assunto. Foi precisamente uma radical alteração física e alimentar associada ao exercício físico que uniu três amigos que, para lá da amizade, tinha em comum a vontade de pôr as pessoas a comer melhor — e foi assim que nasceu o novíssimo Mami, na zona das Picoas, em Lisboa.

Ainda está por aparecer uma noção conceptual mais utilizada que a de “comida saudável”. Há quem lhes associe os sumos detox, dietas vegetarianas/veganas, um regime alimentar macrobiótico, e um sem fim de outras coisas (todas elas em tons esverdeados, principalmente) que de tantas que já são, muitas vezes não passam de engodos para os menos atentos. No Mami, pelo menos, isso não é assim.

Desengane-se quem achar que nesta casa nova só vai encontrar tofu, verduras e frutos secos — nada disso. Não se associando a nenhum tipo de dieta em específico, este Mami prefere antes apostar as fichas todas em ingredientes e confeções o mais livre de químicos possível. Define-se como uma hamburgueria que pretende “transformar” a sanduíche norte-americana “num prato nobre” (“e de alto valor nutricional”) mas a verdade é que é também padaria, cafetaria e bar. Todos estes componentes e aquilo que neles é produzido (já lá iremos mais ao pormenor), assumem os proprietários deste Mami, pretende se ruma alternativa válida para todos aqueles que começam a ter uma maior consciência sobre a sustentabilidade, valor nutricional e responsabilidade social daquilo que comem. Tudo isto é garantido pelo trabalho dos dois chefs da casa, Diogo Conde e Fábio Rodrigues.

O bar do Mami é 100% biológico. ©Diogo Lopes/ Observador

O Espaço

O Mami é gigantesco, não há como não salientar logo isso. Inserido no “mini” centro comercial Picoas Plaza, na zona do pátio interior, este novo restaurante resulta da junção de três outros espaços individuais que costumavam morar naquela fachada interna. Aquilo que mais rapidamente chama à atenção é a zona de esplanada extensa e coberta por toldos, uma eterna boa opção para dias de maior calor. Quem optar por ficar “dentro de casa”, tem muito por onde escolher.

Uma das portas principais dá acesso ao bar, que é 100% eco-friendly e só usa ingredientes biológicos — “É, provavelmente, o único do país”, afirmam os proprietários (que preferem preferem manter o anonimato). Esticando-se ao longo de um corredor largo, esta zona está dividida ao meio, estando o bar propriamente dito à direita de quem entra — elegante balcão comprido em tons castanhos — e, à esquerda, o lounge, que é polvilhado por uns cadeirões, sofás e mesas. Na área ao lado mora a cafetaria/padaria e o seu longo balcão em “L” no qual estão expostas as iguarias caseiras (tudo o que vendem é feito “na casa”, do pão às barras de cereais, garantem-nos). A unir os dois espaços, ao fundo, surge a enorme sala de refeições onde cabem nas várias mesas — todas têm individuais e guardanapos biodegradáveis — cerca de 200 pessoas.

Cada um destes espaços já descritos têm também um aroma específico — “quisemos explorar um pouco o ramo da aromaterapia” —, assim como uma playlist feita à medida e que deve mudar nas futuras festas after-work, que os donos do Mami pensam fazer no futuro.

Uma sala de jantar...

Diogo Lopes/ Observador

A Comida

“Mami” pode parecer um nome estranho para dar a um restaurante, contudo, há uma explicação para a escolha deste nome que aparece, entre muitos sítios, exposto na sala de refeições, como se de um brasão nobiliárquico se tratasse. “Achámos o nome apelativo e também sentimos que se podia fazer com ele uma associação ao leite-materno, também ele um alimento natural, riquíssimo em nutrientes e livre de químicos”, explicaram os anfitriões.

Como já deu para perceber, a “prata da casa” no que a menu diz respeito está muito associada aos hambúrgueres, todos eles inspirados nos produtos e tradições gastronómicas portuguesas. Sim, é mais um restaurante em Lisboa que serve estas sanduíches, mas uma coisa é certa: como este não existe mais nenhum. Começando pelo pão: todo o que é utilizado (e vendido para fora, também) é feito no Mami pelo padeiro Nuno Pontes, diariamente utiliza uma base de massa-mãe (porque não chamar-lhe massa mami?) e farinhas biológicas moídas em mó de pedras. No total, produzem diariamente, quatro tipos de pão especificamente para os hambúrgueres (uma espécie de brioche, pão rústico, bolo lêvedo e pão pita), tirando as outras variedades disponíveis na zona de padaria.

A carne utilizada é biológica, assim como todos os vegetais e molhos, claro está, mas no meio de tudo isto há um pormenor interessante: os hambúrgueres são cozinhados num forno a carvão especial feito de propósito para este espaço, e é alimentado por um “carvão” mais amigo do ambiente que é feito com recurso à casca de cocos.

A sanduíche de choco frito e um dos acompanhamentos que poder escolher, o gratin de batata doce com queijo vermelho picante. ©Diogo Lopes/ Observador

A carta de vinhos é totalmente biológica, também, e é composta maioritariamente por referências portuguesas — se bem que tem algumas marcas francesas ou italianas. Todos as bebidas espirituosas são — adivinhe — biológicas, assim como os sumos e limonadas que aqui se servem. Nem o café escapa a esta atenção especial dada à sustentabilidade, tal como a água, que é filtrada in situ.

Dentro daquilo que aqui vai poder provar merece destaque, por exemplo, o “Da Egitânia aos Açores” (11€), uma sanduíche em bolo lêvedo inspirada nos produtos típicos de ambas a regiões que aparecem no nome — Egitânia era o nome dado pelos romanos à zona de Idanha-à-Nova — que leva o hambúrguer de carne de vaca, relish de tomate com especiarias, malagueta, lima, cebola curtida, queijo picante velho, rúcula, agrião e alface. Tem também o “de Barrancos à terra saloia”, com carne de vaca, coleslaw fermentado, presunto, ovo a baixa temperatura, tomate, avelã, agriões e folhas de beterraba e espinafres (11,50€) ou a simples mas saborosa sanduíche de choco frito, inspirada no clássico setubalense, claro, que leva ainda pasta de alho assado, coleslaw, alface, tomate, lima e folhas de beterraba e espinafres — é servida em pão rústico e custa 11€.

No capitulo das entradas tem a sopa do dia, claro, assim como gulodices como o delicioso queijo curado de ovelha com geleia de vinho do Porto e tostas caseiras.

Finalmente, muita atenção às sobremesas, um dos pontos muito altos deste Mami. É das mãos (e da cabeça) do chef pasteleiro Francisco Pavia que nascem autênticas obras primas como a pavlova de matcha com citrinos e queijo amanteigado (5€) ou as texturas de cacau, cumaru, beterraba e cremoso de chocolate (5€).

“Cuidado, está quente” é uma rubrica do Observador onde se dão a conhecer novos restaurantes.

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