A entrada em vigor no novo sistema de determinação de consumos e emissões nocivas, o WLTP, agendado para Setembro e destinado a substituir o menos realista NEDC, fez disparar as vendas de carros nos últimos meses e Agosto não foi excepção. Tudo porque o WLTP faria aumentar o preço dos veículos, nos mercados cuja fiscalidade depende dos consumos ou das emissões de CO2, mas sobretudo porque a necessidade de escoar modelos equipados com motores que não cumprem o WLTP levou muitos fabricantes (quase todos) a praticar verdadeiros saldos.

Portugal, que também surfou a onda do WLTP durante uns meses, desacelerou em Agosto após o Governo ter anunciado que não haveria grandes alterações de preços até Janeiro de 2019, pelo que o mercado nacional cresceu apenas 6,5% no oitavo mês do ano, bem abaixo dos 8,7% da Bélgica, 8,8% de França, 14% de Espanha, 15,8% da Holanda, 17,8% da Polónia, 23,8% da Grécia ou 51,9% da Roménia.

Em termos de combustível, a mudança do diesel para gasolina continua, com os motores a gasóleo a caírem em Agosto de 42% em 2017 para 35% este ano, isto enquanto os motores a gasolina aumentavam de 51% para 57%. Menos evidente, lamentavelmente no que respeita à melhoria da qualidade do ar que respiramos, foi o incremento de veículos pelos poluentes (AFV), que em Agosto subiram apenas de 5,8% para 6,3%. Muito pouco, especialmente porque a maioria são híbridos, que poupam migalhas no que respeita aos consumos e emissões, ou híbridos plug-in, cujas vantagens se resumem aos primeiros 50 ou 100 km, isto desde que o condutor se dê ao trabalho de carregar a bateria, o que nem sempre acontece.

A liderança entre os híbridos foi exclusiva da Toyota, que colocou Yaris, C-HR, Auris e Rav4 nos quatro primeiros lugares, com o Kia Niro a chamar a si a quinta posição. Enquanto isto, a Volkswagen dominou os plug-in com o Passat GTE, à frente do Cayenne Hybrid, com o top 5 dos 100% eléctricos a serem liderados pelo Leaf, seguido do Zoe, Golf, i3 e Model S.

A marca que mais veículos novos colocou no mercado em Agosto foi novamente a Volkswagen, com mais 50% do que o segundo classificado, a Renault, com os franceses a atingirem um crescimento impressionante de 72%, contra 45% do construtor alemão. Igualmente surpreendente foi a prestação da Audi, que conquistou a 3ª posição, à frente da Ford, Peugeot, Mercedes, Opel, Skoda, BMW, Toyota e Dacia, com o pequeno construtor romeno do Grupo Renault a provar que já não é tão pequeno assim.

No que aos modelos diz respeito, o Golf continua a ser o mais procurado, seguido do Clio, do Qashqai, Polo e Captur. Entre os citadinos, o Clio é quem mais vende, à frente do Polo, Sandero, Fiesta, Fabia, Yaris, C3, 208 e 500. Se elevarmos a fasquia para os veículos compactos, os do segmento C, onde o Golf é quem mais vende, a lista prossegue com o Mégane, Octavia, Leon, A3 e Astra, com os familiares do segmento D a terem o Passat como líder, seguido do A4.

Mas os segmentos que mais crescem são os dos SUV e entre os do segmento C é o Qashqai que continua a ser o mais vendido, à frente do Tiguan, T-Roc e do 3008. No ranking dos SUV mais pequenos (segmento B) o mais popular é o Captur, seguido pelo Duster e 2008.