Rádio Observador

Exploração Espacial

Robôs japoneses conseguem aterrar pela primeira vez num asteróide

Dois robôs japoneses aterraram, pela primeira vez, no asteróide Ryugu. As amostras retiradas pretendem dar respostas sobre a origem da vida e do sistema solar.

AFP/Getty Images

Fotografia tirada no dia 31 de agosto de 2014 da sonda “Hayabusa-2”, quando foi revelada à imprensa pela JAXA, a Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial, em Sagamihara,Tokyo. AFP PHOTO / JIJI PRESS JAPAN OUT (Photo credit should read JIJI PRESS/AFP/Getty Images)

Dois robôs japoneses aterraram, discretamente e pela primeira vez, num asteróide, o Ryugu. As amostras retiradas pretendem dar respostas sobre a origem da vida e do sistema solar e fazem parte da missão iniciada em junho deste ano.

No passado dia 21 de setembro, escrevia-se no artigo sobre o lançamento do rover Hayabusa 2: “Se tudo correr bem, os rovers vão recolher algumas amostras do asteróide e trazê-las para casa em 2020″. De facto, em 2020 poderemos muito bem esperar para as ver, uma vez que a aterragem na superfície rochosa do asteróide foi bem sucedida.

Para os japoneses, o nome “Ryugu” tem um significado mitológico: é o nome do mítico palácio submarino do deus do mar, cujas paredes são feitas de coral. Curioso? Mais curioso ainda é que os técnicos mudaram a cor de fundo do escudo da missão de azul para um vermelho coral.

A missão dos dois rovers – o Rover-1A e o Rover-1B – marca a primeira observação robótica da superfície de um asteróide, segundo a Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (JAXA). Um dia depois de se libertarem da sonda Hayabusa-2, a JAXA afirmou que os pequenos robôs, encapsulados no módulo Minerva-II-1 durante a viagem, aterraram com sucesso no asteróide Ryugu.

Lado a lado, os rovers descansaram a poucos metros um do outro. No seu interior, levaram um contrapeso acionado por um motor elétrico. Quando este gira, fá-los dar uma pequena volta e vão, assim, andando de um lugar para o outro, acompanhados pela vantagem da pouca gravidade do asteróide. Esta dá-lhes a possibilidade de andarem a saltar em redor da superfície para medirem as suas características físicas. Durante a sua caída, até tempo houve para fotografar a nave-mãe.

A sua “boleia” — a Minerva —, por sua vez, tem um aspeto semelhante a latas de conserva cilíndricas, cobertas de células fotoelétricas para alimentar os rovers. Mas, além dos dois robôs, a sonda Hayabusa-2 levou também consigo um pequeno módulo de aterragem e três rovers. Um deles chama-se Mascot (Mobile Asteroid Surface Scout), pesa cerca de nove quilos e deverá pousar, pela primeira vez, no Ryugu em outubro. A sua função é procurar informações detalhadas sobre o solo.

Num comunicado, a JAXA disse, no sábado passado, que tudo está a funcionar normalmente. Relativamente ao coordenador do projeto sobre a sonda, Yuichi Tsuda, afirmou estar orgulhoso por terem estabelecido um novo método de exploração o espaço para pequenos corpos celestes.

Embora tenha sido enviada em dezembro de 2014, a sonda só passou a orbitar o asteróide em junho, e é a sua segunda tentativa: a primeira Hayabusa (“falcão” na língua japonesa) foi lançada, para o espaço em 2003 com o objetivo de recolher amostras do asteróide Itokawa, para serem posteriormente analisadas em Terra. Contudo, houve dificuldades ao longo dos dois mil milhões de quilómetros de missão (com problemas no sistema de propulsão, por exemplo) e a sonda regressou ao nosso planeta, em 2010, com apenas pequenas amostras do asteróide.

Em outubro, serão detonados explosivos na superfície de Ryugu para possibilitar a recolha de rochas que não tenham estado sujeitas à erosão espacial, de forma a recolher pedaços de rocha que não tenham sido alvos de erosão e radiação no espaço. Aí se chegará, provavelmente, as questões fundamentais da existência da vida e do universo.

A missão da Hayabusa-2 deverá voltar à Terra com as suas amostras em 2020 e, se tudo correr bem, a cápsula cairá de paraquedas nos desertos da Austrália, onde os técnicos japoneses se encontrarão à espera da sua chegada.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)