A reciclagem de baterias coloca alguns problemas aos fabricantes, pois se por um lado conseguem recuperar até 97% dos materiais utilizados na sua fabricação, por outro é uma operação dispendiosa e poluente. Pelo que nada melhor do que arranjar uma nova ocupação para as baterias velhas dos veículos eléctricos, o que passa por juntar duas ou três e ajudar a poupar na conta da energia lá de casa, ou umas centenas ou milhares e resolver o problema do excesso de energia produzido – e não consumido – junto de algumas centrais ou fábricas. Veja aqui como funciona o sistema:

A esta reutilização de baterias a Renault chama Second Life e já lançou o sistema doméstico, destinado a alimentar-se da rede durante a noite, para aproveitar as tarifas mais baixas, ou então para se recarregar através de, por exemplo, painéis solares montados no telhado das residências. Agora a marca francesa evolui para mega-instalações de armazenamento, destinadas a evitar ou a controlar os picos de consumo que possam desarranjar a rede eléctrica local, e prepara-se para criar o maior sistema de armazenamento de energia (ESS, de Energy Storage System) da Europa.

Curiosamente, o ESS da Renault não vai estar localizado num só local, mas sim em três, nomeadamente as fábricas da marca em Douai e Cléon, em França, e uma antiga central eléctrica a carvão, na Alemanha. As três instalações vão estar em funcionamento em 2020 e serão compostas por cerca de 2.000 baterias usadas do Zoe, com diferentes capacidades. No total, a capacidade instalada nestas baterias estacionárias será de 60 MWh, um valor muito superior aos 3 MWh que a Nissan instalou no estádio do Ajax, na Holanda, ou os 16,5 MWh que a BMW montou no Reino Unido, como apoio a um parque eólico. Contudo, fica um pouco longe dos mais de 1.000 MWh de ESS que a Tesla já tem instalados, o que representa cerca de metade da capacidade que existe espalhada pelo planeta (cerca de 2,3 GWh, segundo a GTM Research).