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Ruslan Boshirov, um dos suspeitos do ataque ao ex-espião russo Sergei Skripal e à sua filha Yulia com o agente nervoso novichok será, na verdade, o coronel Anatoliy Chepiga, um agente dos serviços militares da Rússia que foi condecorado com o prémio de “Herói da Federação Russa”, em 2014.

Segundo uma investigação realizada pelo Bellingcato suspeito será conhecido pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin, que em agosto disse que os dois homens suspeitos eram meros turistas, “civis sobre quem não há nada de especial ou criminoso”. Anatoliy Chepiga, nascido em 1979, realizou missões na Tchetchénia e na Ucrânia.

Ainda este mês, os dois russos foram identificados e acusados pela polícia britânica de conspiração e tentativa de homicídio de Sergei Skripal e da filha Yulia, que em março foram atacados com o agente nervoso em Salisbury, no Reino Unido. Já nesta altura as autoridades acreditavam que os nomes dos dois suspeitos eram pseudónimos.

Skripal. Suspeitos do ataque com novichok alegam que eram turistas em Salisbury

Um dos fatores que indicará o conhecimento de Putin destes suspeitos é o facto de o prémio de Herói da Federação Russa — atribuído como forma de reconhecimento de serviços ao Estado e ao povo da Rússia através de um ato heróico — ser entregue pessoalmente pelo presidente a apenas um conjunto restrito de polícias anualmente. Trata-se da mais alta condecoração militar russa.

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No site da escola militar que atribui o prémio, diz o site, costuma ser feita uma descrição detalhada das ações que levaram à atribuição da distinção. No entanto, no caso do reconhecimento de Anatoliy Chepiga, apenas se lê “por decreto do presidente russo”, o que poderá indicar que a missão pela qual foi premiado seria secreta.  Terá sido entre 2003 e 2010 (ano em que recebeu o seu primeiro passaporte de disfarce) que Chepiga passou a chamar-se “Ruslan Boshirov” e foi transferido para Moscovo.

Entretanto a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Maria Zakharova, afirmou que se tratava de uma mentira. “Não há nenhuma prova, portanto, continuam a campanha de informação para desviar a atenção da questão principal: o que aconteceu em Salisbury?”, questionou, citada pela agência France-Presse.